Exposição no Museu A CASA celebra décima edição do Prêmio Objeto Brasileiro e a riqueza do encontro entre design e artesanato
Exposição reúne 25 obras das cinco regiões do país e os quatro vencedores da edição; abertura será em 14 de novembro

Saberes que atravessam gerações, encontros entre artesãos e designers e pesquisas que abrem novos caminhos para a criação se reúnem na exposição do 10º Prêmio Objeto Brasileiro. Com abertura em 14 de novembro, sábado, no Museu A CASA do Objeto Brasileiro, em Pinheiros, São Paulo, a mostra apresenta 25 obras selecionadas das cinco regiões do país, entre elas os quatro vencedores da edição.
Ao celebrar sua décima edição, o Prêmio convida o público a conhecer as pessoas, os lugares e as escolhas que dão forma aos objetos e compõem a diversidade do fazer brasileiro. O Prêmio é realizado pelo Museu A Casa do Objeto Brasileiro e pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.“Um objeto pode nos aproximar de um lugar, de uma história e de um modo de fazer que ainda não conhecemos. É esse encontro que queremos oferecer ao público. Nesta seleção, vemos saberes que passam de uma geração a outra e continuam abrindo possibilidades para a criação, ao lado de experimentações de quem está começando. Ao reunir essas experiências, o Prêmio valoriza as pessoas que fazem e nos convida a olhar com mais atenção para o que elas criam”, afirma Mariana Lorenzi, diretora artística do Museu A CASA do Objeto Brasileiro.
Realizado a cada dois anos desde 2008, o Prêmio recebeu 629 inscrições de 24 estados e do Distrito Federal. Foram 305 a mais do que em 2024, quando participaram 324 trabalhos. Nesta edição, a estreia da categoria Novos Talentos abre um espaço dedicado a estudantes e criadores em início de carreira. O júri também foi ampliado de três para cinco integrantes. A reformulação do formulário de inscrição e a mobilização com parceiros buscaram facilitar a participação e levar o convite a mais artesãos, grupos e designers. “A resposta foi muito expressiva, recebemos quase o dobro de inscrições da edição anterior. Esse resultado mostra que o esforço de aproximação fez diferença e nos anima a continuar ampliando o alcance do Prêmio”, completa Mariana.
A seleção inclui 11 trabalhos de Produção Autoral, seis de Produção Coletiva, cinco de Ação Socioambiental e quatro em Novos Talentos. As categorias permitem reconhecer diferentes caminhos da criação, do trabalho individual às colaborações entre designers e comunidades artesãs. Cada um dos quatro vencedores recebe R$ 5 mil e todos os participantes recebem uma certificação, além de apresentarem seus trabalhos na exposição que fica em cartaz até 14 de março de 2027.
O júri foi formado pela curadora especializada em artesanato Daniela Vasconcellos, a curadora e produtora cultural Loli Furtado, a designer e antropóloga Helena Kussik, o sociólogo Artur Lins e a designer Luly Vianna. A seleção combinou a avaliação individual e o debate conjunto dos jurados, que definiu os trabalhos vencedores e os selecionados para a exposição.
Os vencedores
A relação entre forma e som aparece em Apitos Afinadores de Distâncias, de Laura Landau, vencedor de Produção Autoral. Criadas entre Igatu, no município de Andaraí, na Bahia, e o Rio de Janeiro, as peças de cerâmica levam à exposição uma pesquisa que pode ser percebida também pela escuta. Já Fishau, vencedor de Produção Coletiva, nasce do conhecimento da cestaria e trançado de palha da etnia Ye’kwana, em Awaris, Roraima. A obra é da Associação Wanasseduume Ye’kwana (SEDUUME), com apoio do Instituto Socioambiental (ISA).
Na Coleção Admiriti, o miriti - palmeira conhecida como o isopor da amazônia - é o ponto de encontro entre a Guá Arquitetura e mestres artesãos da região amazônica, com produção em Abaetetuba e Belém, no Pará. O trabalho venceu em Ação Socioambiental e propõe a integração de um material amplamente utilizado no artesanato paraense ao mobiliário. O Banco Varanda, de Priscilla Lira Alves, de Caruaru, Pernambuco, transfere para um assento as características e sensações das redes de dormir. A obra completa o grupo de vencedores e inaugura a premiação de Novos Talentos.
Territórios e modos de fazer
Esses encontros se desdobram pelo restante da seleção. Em Berilo, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, a Associação de Produtores e Artesãs de Roça Grande e a mestra Marlice Machado participam trazendo a tecelagem para esse panorama da criação brasileira. De Alagoas vêm Boa-noite, memória, de Rodrigo Ferreira e Irês Santos, e Vestido-Carta, de Petrucia Lopes em parceria com a marca FOZ e a associação INBORDAL. No Tocantins, a Jalapoeira Apurada reúne artesãos da Cooperativa Central do Cerrado e Marcelo Rosenbaum, do Instituto A Gente Transforma, em uma colaboração que aproxima o fazer tradicional do Jalapão ao desenvolvimento de novos objetos.
A exposição também acompanha caminhos que começam na formação e na experimentação. Em Platalea ajaja, o designer Fernando Rodrigues, recém-formado pela Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da USP - FAU, transforma madeira de poda em utensílios como colheres e facas, aproximando o olhar para a natureza da criação de objetos. Entre diferentes gerações e territórios, a mostra permite perceber como os conhecimentos continuam em circulação e ganham outras formas nas mãos de quem cria.
FOTOS PARA IMPRENSA
PROGRAMAÇÃO
Papo de Casa | 14 de novembro, das 14h às 15h30
Com os jurados Daniela Vasconcellos, Loli Furtado, Helena Kussik, Artur Lins e Luly Vianna. Mediação de Angelo Miguel, produtor da 10ª edição do Prêmio.
Cerimônia de Premiação | 14 de novembro, às 16h
Serviço
Exposição: 10º Prêmio Objeto Brasileiro
Abertura: 14 de novembro de 2026, sábado, das 10h às 18h
Temporada: de 14 de novembro de 2026 a 14 de março de 2027
Onde: Museu A CASA do Objeto Brasileiro
Endereço: Av. Pedroso de Morais, 1216 - Pinheiros, São Paulo - SP
Visitação: de terça a domingo, das 10h às 18h
Entrada gratuita
Grupos e atividades: educativo@acasa.org.br
Informações para o público: contato@acasa.org.br
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