quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Literatura Atual.

 literatura Atual traz ao seu leitor on-line dicas do mundo Literário , como Bruno J. Pereira, Arthur Simon,Edson Gabriel Garcia,Antonio Sampaio Dória,Priscila Arraes .

















Arthur Simon estreia na literatura com romance que mistura descoberta da sexualidade, suspense sobrenatural e crítica ao conservadorismo
Em Lana, como eu odeio esses caras!, autor cria uma narrativa ambientada em 2008, entre referências pop, memórias de um passado de repressão e uma história de amor entre duas adolescentes.

“Arthur Simon constrói uma narrativa cinematográfica onde o humor faz respirar entre os momentos de tensão crescente e o amor aparece quando ninguém o estava buscando. O romance se ilumina com personagens que ficam na memória, articulando temas como identidade, desejo e a coragem de enfrentar o ódio quando ele tem nome, endereço e se organiza.”

Andrezza Postay, escritora e professora de Escrita Criativa

Uma mudança inesperada para uma pequena cidade do interior coloca uma adolescente diante de sentimentos que ainda não sabe nomear, de uma amizade que se transforma em amor e de uma ameaça que atravessa gerações. Em Lana, como eu odeio esses caras! (Casa de Astérion, 326 páginas), romance de estreia de Arthur Simon, Jéssica é arrancada da vida que conhecia em Florianópolis e levada para Hortênsias, cidade fictícia de colonização alemã em Santa Catarina. Ali, em meio à hostilidade de uma comunidade fechada, ela conhece Lana, uma vizinha de cabelo platinado, tatuagem de arco-íris e uma habilidade surpreendente: mover objetos com a mente.

Ambientado em 2008, o romance combina coming-of-age, suspense sobrenatural e thriller político para contar uma história sobre identidade, desejo, pertencimento e enfrentamento do conservadorismo. Ao mesmo tempo em que acompanha a descoberta da bissexualidade de Jéssica e sua aproximação com Lana, o livro mergulha em um passado marcado pela repressão e revela que determinadas ideias não ficaram restritas aos livros de História.

A ambientação também recupera um período de transição tecnológica e cultural que marcou uma geração. Orkut, MSN e comunidades virtuais aparecem ao lado de referências pop como Britney Spears e Friends. Jéssica é fã de Britney e escuta o recém-lançado Blackout, enquanto mantém conversas pelo MSN com a amiga que ficou na cidade anterior. Esses elementos ajudam a reconstruir o cotidiano de 2008 e aproximam o leitor da experiência da protagonista.

Um amor em meio ao conservadorismo

A relação entre Jéssica e Lana é um dos centros da narrativa. Em uma cidade onde aquilo que foge do padrão é recebido com desconfiança ou violência, a aproximação entre as duas se transforma em espaço de descoberta, acolhimento e enfrentamento.

É Lana quem ajuda Jéssica a compreender e nomear sua própria sexualidade. "A gente nasce do jeito que tem que nascer", diz a personagem em um dos momentos mais marcantes da história. A partir daí, o romance aborda o peso do armário, o medo da rejeição familiar e a importância da aceitação, especialmente durante a adolescência.

Para Simon, Lana, como eu odeio esses caras! é também o livro que gostaria de ter encontrado quando era mais jovem. "O livro que eu gostaria de ter lido (e, melhor ainda, escrito) quando mais jovem", afirma o autor.

A dimensão LGBTQIAPN+ da narrativa não aparece, porém, isolada da história de suspense. O amor entre as protagonistas está diretamente ligado ao conflito maior que atravessa Hortênsias, fazendo com que a descoberta individual de Jéssica se encontre com uma disputa mais ampla sobre memória, identidade e poder.

Um passado que insiste em permanecer

Enquanto Jéssica e Lana se aproximam, a descoberta de diários de 1942 amplia a dimensão da trama. Os registros revelam que o avô de Lana viveu um amor proibido durante o Estado Novo, período marcado pela repressão a imigrantes alemães e pela perseguição a homossexuais.

O passado, entretanto, não está encerrado. O nazismo e o integralismo aparecem na trama associados a uma organização secreta que continua atuando na cidade. A investigação leva os personagens a perceberem que as ideias que sustentaram diferentes formas de violência no passado ainda podem encontrar espaço no presente.

"Hortênsias é a prova de que os ideais nazistas ainda estão entre nós", escreve a mãe de Jéssica, jornalista, em um artigo que explicita uma das principais tensões políticas do romance.

A construção desse conflito também dialoga com pesquisas realizadas pelo próprio autor sobre o conservadorismo em Santa Catarina. Segundo Simon, esses temas são "temas que me compõem" e, por isso, não poderiam ficar de fora da obra.

A história transforma, assim, o resgate histórico em parte essencial do suspense. Ao investigar o passado da cidade, as personagens também precisam lidar com aquilo que permanece vivo no presente.

Uma narrativa construída como "história dentro da história"

A escrita de Simon é "cinematográfica e hiperestésica", termos utilizados pelo mestre Luiz Antonio de Assis Brasil, com quem concluiu uma oficina literária em julho de 2026.

O romance alterna momentos de tensão e cenas de intimidade, construindo uma narrativa que se desloca entre diferentes tempos, registros e perspectivas. Além da narração tradicional, a obra incorpora bilhetes, posts em fóruns da internet, artigos de jornal e um diário íntegro transcrito.

Essa estrutura cria o efeito de uma "história dentro da história" e rompe com uma narrativa inteiramente linear. O leitor acompanha a investigação do presente ao mesmo tempo em que acessa documentos e registros que ajudam a reconstruir o passado de Hortênsias.

"O lugar é aqui", frase que ecoa no diário do avô de Lana, torna-se um dos lemas de uma história sobre pertencimento e sobre a decisão de permanecer e lutar mesmo quando as circunstâncias parecem estar contra os personagens.

O humor também participa dessa construção. Em meio ao suspense e aos conflitos políticos, a narrativa abre espaço para referências da cultura pop e para diálogos que aproximam as personagens do leitor, criando um contraste entre a leveza da adolescência e a violência que atravessa a história.

Para Simon, a literatura de entretenimento também pode exercer uma função formativa. É nesse espaço, entre diversão, identificação e reflexão, que o autor afirma"orgulhosamente produzir".

Sobre o autor

Arthur Simon, 32 anos, nasceu, cresceu e vive em Florianópolis, com uma breve passagem por uma cidade de três mil habitantes na Califórnia. Formado em Direito em 2016, é servidor público desde 2018 e atua atualmente como Analista Judiciário no Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região.

A escrita ganhou espaço em sua trajetória a partir de 2023, quando iniciou uma especialização em Escrita Criativa pela PUCRS, concluída em 2024. Desde 2025, cursa Letras, Língua Portuguesa, na UFSC. Em 2024, recebeu menção honrosa no 4º Prêmio Literário Máquina de Contos com o conto O presente de Marta.

A gênese de Lana, como eu odeio esses caras! começou com uma imagem recorrente: duas meninas em uma floresta. Para o autor, "foi o meu livro que me escolheu". Nos agradecimentos, ele escreve sobre a esposa: "Não haveria livro sem ela; não haveria sequer Arthur-escritor sem ela".

Simon também idealizou um Clube de Escrita e aponta como principais influências a cultura pop, a literatura norte-americana e autores como Carol Bensimon. Sua primeira referência literária está ligada à lembrança de sua mãe lendo Harry Potter para ele. Mais tarde, obras como O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, e, mais recentemente, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid, passaram a integrar seu repertório.

"Essas histórias têm em comum uma sensação de us against the world, 'nós contra o mundo', e uma captura bastante específica do seu tempo", reflete. "A qualidade estética delas soa ainda mais importante para mim: a técnica narrativa focada em cenas."

Atualmente, Arthur Simon trabalha na escrita de seu próximo romance, que terá como tema o processo de se perceber adulto. "Aquele momento exato, quando notamos que alguma coisa dentro de nós mudou para sempre… no meu novo romance estou tentando capturar a brevidade e imensidão desse momento."

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Política não se discute? Livro provoca leitor a decifrar as engrenagens do poder

O autor e professor Edson Gabriel Garcia reforça por que entender o poder é indispensável à formação cidadã

“Política não se discute.” A frase atravessa gerações como uma espécie de regra de convivência, mas é justamente essa ideia que Política: decifra-me ou te devoro!, do educador Edson Gabriel Garcia, publicado pela Cortez Editora, coloca em questão. Em período eleitoral, quando decisões públicas ganham destaque nas conversas, nas telas e nas disputas, a obra parte de uma constatação essencial: não acompanhar a política não significa estar fora dela. As escolhas feitas por governos e instituições interferem em direitos, serviços públicos e condições de vida, enquanto a falta de entendimento sobre esses processos pode favorecer a apatia e afastar o cidadão dos espaços de participação. 

É a partir dessa proximidade com o cotidiano que o autor propõe uma introdução à alfabetização política, voltada especialmente a leitores que não dominam a linguagem das instituições. Ética, moralidade, poder e cidadania aparecem em uma narrativa informal, sem o peso dos manuais acadêmicos. A polarização ideológica também entra em cena como um fenômeno a ser compreendido, e não simplesmente reproduzido, em um percurso que busca oferecer instrumentos para interpretar diferentes discursos e posicionamentos presentes na vida pública. 

A escolha pela conversa, e não pela aula tradicional, é parte da identidade do livro. Garcia não se coloca como detentor de respostas definitivas, mas estimula o leitor a questionar, discordar, reclamar e fazer anotações nas margens. Esse diálogo ganha ainda uma dimensão visual nas ilustrações de Kiko Garcia, que recorre à sátira para representar conceitos. A urna eletrônica servida sob uma travessa, o monstro de várias cabeças associado à censura e os macacos que não veem, não ouvem e não falam transformam ideias abstratas em imagens provocadoras e bem-humoradas. 

Educar-se politicamente faz parte do rol das aprendizagens urgentes da contemporaneidade, algo como preparar-se para viver a cidadania. Nesse sentido, temos que falar em uma Educação para a Política. A Educação para a Política precisa ter, de modo geral, o mesmo tratamento que outros campos do saber: definição de objetivos, levantamento de conceitos e aplicação. E o caminho é o desenvolvimento do pertencimento e responsabilidade, a conscientização e a oportunização de experiências com participação em instâncias participativas. (Política: decifra-me ou te devoro!, p. 167) 

A discussão se torna especialmente atual quando chega às mídias sociais e à circulação de fake news. Em ambientes nos quais informação, opinião e manipulação podem se misturar em poucos segundos, a obra aborda os efeitos da desinformação, os chamados gabinetes do ódio e os riscos da alienação política.  

A reflexão de Edson Gabriel Garcia se estende à defesa do Estado democrático e à memória histórica, recuperando experiências de autoritarismo para reforçar a importância de preservar direitos e reconhecer o valor da participação cidadã. Nesse sentido, compreender a política deixa de ser apenas uma questão de interesse pessoal e passa a integrar o próprio exercício da democracia.  

Política: decifra-me ou te devoro! oferece diferentes caminhos para discutir voto consciente e engajamento democrático, e o título se transforma em pergunta aberta ao leitor: diante de uma política que está presente em tantas dimensões da vida, vale a pena não tentar decifrá-la?  

Ficha técnica  

Título: Política: decifra-me ou te devoro! 
Autoria: Edson Gabriel Garcia 
ISBN: 978-65-5555-338-3 
Formato: 16x1x23cm 
Páginas: 176 páginas 
Preço: R$ 85,00 
Onde encontrar: Amazon 

Sobre o autor  

Edson Gabriel Garcia atua na Educação, como professor e diretor de escola pública. É autor de livros infantis e juvenis, didáticos e paradidáticos. Escreveu sucessos como Amoreco, Sete gritos de terror, País dos avessos, Tesouro perdido do gigante gigantesco, Diário de Biloca e Quanto vale uma vida?, entre outros. Também atua há cerca de vinte anos na política institucional, como assessor parlamentar.  

 

Sobre o ilustrador  

Kiko Garcia é formado em Comunicação e Artes pelo Mackenzie, pós-graduado em Design de Hipermídia e licenciado em Artes Visuais. Atualmente, é mestrando em Comunicação Audiovisual pela Universidade Anhembi Morumbi. Há mais de vinte anos, trabalha com ilustrações editoriais, design gráfico e de web, animações, oficinas criativas e produção de histórias em quadrinhos.  

Sobre a Cortez Editora: Foi a solidez do trabalho feito que estimulou a Cortez Editora a expandir e mostrar ao mundo toda a riqueza da cultura brasileira e a densidade ímpar de seus autores. Seu catálogo é referência nas áreas de Literatura Infantil e Juvenil, Educação, Serviço Social, Ciências da Linguagem, Ciências Sociais, Ciências Ambientais e Psicologia.  

Site: Cortez Editora  

Instagram: Cortez Editora | Youtube: TV Cortez | Facebook: Cortez Editora  




Até onde pode ir um super-herói quando o vilão está dentro de casa? Livro infantil inspirado em tragédia real enfrenta violência e abuso de poder .


Inspirado no caso Henry Borel, “Super Henry”, de Antonio Sampaio Dória, leva violência doméstica, abuso de poder e justiça para a literatura infantojuvenil


Voltado para o público infantojuvenil, o livro “Super Henry”, escrito pelo professor, mestre em Literatura Comparada pela USP e escritor Antonio Sampaio Dória (@blogselivros.insta), rompe os tabus da literatura infantil ao abordar a violência doméstica, a omissão e o poder arbitrário sem recorrer a discursos didáticos ou moralizantes, dando voz e protagonismo ao olhar da criança. Publicado pela Abrementes Editora, a obra foi ilustrada em aquarela por Raissa Castro.


A trama se passa no Morro do Castelo, uma comunidade sob o domínio opressivo do temido Coronel e de seus seguranças. Henry é um menino repleto de imaginação e teimosia que acredita ser um verdadeiro Super-Herói, munido de uma capa azul, um estilingue e o sonho de voar. Ao lado dos seus amigos (Tatu, Foca e Pulga), ele patrulha o morro inteiro.


Mas o maior perigo não vem do lado de fora e sim de dentro de sua própria casa. Com a separação dos pais e o novo relacionamento da mãe com o filho do Coronel, apelidado de "Dito Cujo", Henry passa a enfrentar rasteiras, cascudos, manipulação psicológica e agressões físicas. O livro acompanha a coragem do garoto ao tentar alertar os adultos e defender sua mãe, em uma jornada conturbada que mescla o heroísmo infantil à dura realidade de uma infância sufocante.


Inspirado pela dor e indignação diante do caso real do menino Henry Borel, Antonio aborda o trauma da violência com sensibilidade e cuidado. Ele considera que o tema, apesar de difícil, precisava aparecer em um livro infantil, mas para isso o personagem não poderia ser apenas uma vítima. Assim, Henry cumpre a 'jornada do herói' assumindo desafios, amadurecendo e vivendo seu arco de protagonista.


Um dos pontos centrais da narrativa é a criação do conceito de "Pendimento", que é uma forma simplificada que o protagonista encontra para a palavra arrependimento. Para ele, o Pendimento é uma pedra pesada amarrada ao pescoço, simbolizando a consciência das ações que causam dor ao outro.


Enquanto personagens como o vilão Dito Cujo representam a ausência de ética e remorso, o menino desenvolve mais empatia ao longo de suas aventuras, compreendendo as consequências da dor e da vingança, do certo e do errado. Além da dimensão pessoal, o livro inova ao trazer o poder político e as milícias locais (representadas pelo Coronel) para a literatura infantil, expondo as estruturas arbitrárias que cercam a vida nas periferias e morros.


Essa escolha de enredo se deu, porque Antonio considera que as crianças são excelentes observadoras da realidade e não a nega para manter conveniências, ao contrário dos adultos, que muitas vezes fazem isso para manter vantagens e ilusões momentâneas. “O Henry do livro não se omite: ele conta aos adultos o que está acontecendo. As crianças precisam saber que não podem ser agredidas ou manipuladas”, conclui.


Fiel à tragédia que o inspirou, a obra não hesita em levar a história até suas últimas consequências, abrindo espaço para uma dimensão espiritual e fantástica no terço final. Quando a violência do padrasto culmina no abismo, a batalha de Henry não se encerra: como "espírito", ele ganha finalmente os céus, conquista o poder definitivo de voar e retorna à Terra para intervir, dar força aos amigos e garantir que os malfeitores e os poderosos corruptos prestem contas à justiça. 


Antonio olha para a realidade e cria literatura para as infâncias


Antonio Sampaio Dória é professor, escritor e mestre em Literatura Comparada pela FFLCH-USP. Com vasta trajetória na docência e na pesquisa de literatura infantojuvenil (autor do premiado ensaio “O Preconceito em Foco”, selo Altamente Recomendável da FNLIJ, e do sucesso editorial “Um Amigo Inesquecível”), fundou em 2025 a Abrementes Editora. Dedica-se a criar obras que discutem questões sociais urgentes para a formação de novas gerações de leitores críticos. 

Também escreveu um livro sobre racismo, “A Virada de Tia Nastácia”, e um sobre censura a livros, “Era uma vez... E não é mais!”. Segundo o autor, a decisão de falar sobre “questões sociais” importantes, sabendo muito bem que não cabem discursos moralizantes, ou soluções do tipo “A moral da história é...” é intencional: “As personagens vivem sua realidade e reagem a ela de forma dinâmica. Ou seja, tento discutir essas questões sem o didatismo característico de certas obras — que ou falam só daquele assunto, sem admitir subtemas, ou simplesmente assumem que são de fato um livro utilitário, para ‘lidar’ com certas questões, tais como ‘livro para desfraldar a criança’, ‘livro para ensinar higiene’. Procuro criar uma obra artística”, conclui.


Alguns livros ganharam morada na memória do autor, ainda em sua infância, e influenciaram na criação de Super-Henry. Entre eles, se destacam os títulos “Os meninos da rua Paulo”, “Tistu, o menino do dedo verde”, clássicos infantis. “Em todos eles, há uma aventura e um enfrentamento de ‘inimigos’, ou de um problema social. Há a aprendizagem, a superação, o personagem forjando a si mesmo. Acho que tudo isso está presente em Super-Henry”, reflete.



Adquira “Super Henry”, da Editora Abrementes: https://livraria.bookinfometadados.com.br/categoria/JUV/produto/9786598732448/super-henry 




Burnout deixa de ser tabu e vira disputa trabalhista dentro das empresas

Com explosão dos afastamentos por saúde mental e pressão da NR-1, advogada Priscila Arraes Reino lança livro que orienta trabalhadores a documentar o adoecimento.

No Brasil, os transtornos por saúde mental representam um em cada sete afastamentos no trabalho. É nesse contexto que a advogada trabalhista e previdenciária Priscila Arraes Reino lança Burnout tem lei, obra voltada a orientar colaboradores sobre como reconhecer sinais de adoecimento relacionados ao ofício, entender seus direitos e agir de forma estratégica diante da empresa, do INSS e dos profissionais envolvidos no acompanhamento da sua saúde. 

O assunto ganha ainda mais força com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir atenção aos riscos psicossociais no ambiente profissional. Segundo a autora, muitos profissionais só percebem a gravidade do problema quando já perderam a capacidade de manter uma rotina mínima de trabalho. Um dos maiores erros, afirma, é acreditar que apenas um laudo médico basta para comprovar que a doença foi causada pelo ambiente corporativo.  

O adoecimento costuma acontecer de forma cumulativa. Mensagens fora do horário, pressão constante, metas abusivas, crises recorrentes, receitas médicas, afastamentos curtos e acompanhamento psicológico ajudam a construir a trajetória desse esgotamento, explica.  

Escrito em linguagem clara, acessível e sem juridiquês, Burnout tem lei busca traduzir para o leitor um universo que normalmente fica restrito a advogados, peritos e tribunais. A obra apresenta orientações práticas sobre como agir desde os primeiros sinais de esgotamento, explica como funcionam os processos trabalhistas e previdenciários e detalha quais direitos podem surgir quando a atividade desempenhada contribui para o desenvolvimento ou agravamento de um problema de saúde mental. 

Com mais de 25 anos de atuação na defesa de trabalhadores com doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, a advogada afirma que existe uma cultura de normalização do excesso, em que muitos aprendem a chamar esgotamento de comprometimento profissional. Essa realidade levou a especialista a transformar informação jurídica em ferramenta de proteção.  

Priscila Arraes Reino defende que trabalhadores adoecidos precisam compreender seus direitos antes que a situação evolua para rupturas profissionais, financeiras e emocionais mais graves. Burnout tem lei dialoga com um cenário em que saúde mental passou a ocupar espaço estratégico nas discussões sobre governança corporativa, gestão de risco, sustentabilidade das relações de trabalho e responsabilidade social das empresas.  

Ficha técnica  

Título: Burnout tem lei 
Autoria: Priscila Arraes Reino  
Editora: AssedioNet 
ISBN/ASIN: 978-65-983419-7-8 
Páginas: 293 
Preço: R$ 68,99 
Onde encontrar: Amazon 

Sobre a autora 

Priscila Arraes Reino é advogada há mais de 25 anos e atua nas áreas trabalhista e previdenciária, com foco na defesa de profissionais que adoeceram ou sofreram acidentes em decorrência de suas funções. Especialista pela Escola da Magistratura do TRT da 24ª Região desde 2007, dedica-se ao estudo da responsabilidade do empregador em casos de acidentes e patologias laborais. 

Instagram: @priscilaarraes.adv | Tiktok: @priscilaarraes.adv 

YouTube: @ArraeseCenteno | Site: arraesecenteno.com.br 







 




Suor sem ego

Empresário transforma uma trajetória que começou no trabalho aos oito anos em reflexão sobre sucesso, dignidade e a coragem de recomeçar

Aos oito anos, Bruno J. Pereira já sabia que trabalho não era apenas uma palavra de adulto. Em uma feira livre, empurrava um pesado carrinho de mão carregando as compras de outras pessoas em troca de pequenas moedas. O dinheiro não era para brinquedos ou doces, ajudava a colocar comida dentro de casa. Décadas depois, após atravessar pobreza, mudanças, perdas, experiências profissionais no Brasil e nos Estados Unidos e chegar ao empreendedorismo, ele transforma essa trajetória no livro Suor Sem Ego, A história de um homem que não aprendeu a desistir. “Eu não escrevi este livro para mostrar onde cheguei ou o que conquistei. Escrevi porque, olhando para trás, percebi quantas vezes foi necessário começar novamente. Para mim, sucesso não pode ser medido apenas pelo patrimônio, mas pela liberdade de escolher quem queremos ser sem deixar que o ego determine nossas decisões”, afirma Bruno J. Pereira. A reflexão sintetiza uma das ideias centrais da obra, que questiona a associação automática entre sucesso, dinheiro e status.

A autobiografia percorre uma vida marcada por contrastes. Bruno relata a pobreza na infância, as constantes mudanças da família, períodos vividos em cortiços e periferias, a passagem por Cotia, a mudança para o Paraná, a entrada no mercado de trabalho e o aprendizado no setor de comunicação visual. A morte do pai também aparece entre os acontecimentos que provocaram mudanças importantes em sua trajetória. A história posteriormente ultrapassou as fronteiras brasileiras. Bruno viveu nos Estados Unidos e passou por Manhattan, onde novamente precisou lidar com trabalho, adaptação e sobrevivência. De volta ao Brasil, enfrentou outro período de incerteza que atingiu milhões de brasileiros, a pandemia. Foi nesse cenário que criou a KLW Brasil, empresa que cresceu e passou a contar também com a participação dos filhos, levando o empresário a uma realidade financeira muito diferente daquela vivida pelo menino que trabalhava por moedas na feira.

Apesar da trajetória de ascensão, Suor Sem Ego procura fugir da fórmula tradicional das histórias que prometem ensinar o caminho para o sucesso. Em vez de apresentar uma receita, Bruno parte das próprias experiências para abordar disciplina, responsabilidade, desapego, capacidade de adaptação e disposição para começar outra vez. “Não acredito que exista uma fórmula que funcione para todo mundo. O que a minha história pode mostrar é que nenhum trabalho honesto diminui uma pessoa. Eu carreguei carrinho de feira, precisei me adaptar inúmeras vezes e comecei novamente quando foi necessário. O trabalho nunca foi motivo de vergonha, foi parte da construção da minha dignidade”, diz. Resume Bruno Pereira.pdf

A família também ocupa espaço central no livro. As dificuldades enfrentadas pelos pais aparecem como parte da formação do autor, enquanto os filhos Kauan, Luiza e Wendel representam uma nova etapa da história. Apontados por Bruno como motivação para grande parte de seus esforços, eles passaram posteriormente a compartilhar com o pai a realidade da empresa construída ao longo dos anos.

O título resume a mensagem que Bruno pretende deixar ao leitor. “Suor sem ego é continuar disposto a trabalhar, aprender e recomeçar independentemente do lugar que você ocupa hoje. Quando olho para aquele menino de oito anos e para o empresário que me tornei, não quero esquecer de onde parti. O maior risco de uma conquista é acreditar que ela nos torna maiores do que os outros”, afirma. Mais do que registrar onde Bruno chegou, o livro apresenta os diferentes lugares dos quais precisou partir, muitas vezes do zero, para continuar seguindo em frente.

Serviço:

Livro: Suor Sem Ego, A história de um homem que não aprendeu a desistir

Autor: Bruno J. Pereira

@bruno.jpereirawolf

https://klwbrasil.com.br/



 
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