São Paulo, março de 2026 – "Embora eu fosse muito tímido, eu adorava a área de comunicação. Então, eu gostava de criar propagandas de produtos que não existiam". A frase, dita por William Bonner ao relembrar sua trajetória, está no depoimento do jornalista ao projeto Memórias Ecanas, iniciativa da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) realizada em parceria com o Museu da Pessoa, que registra histórias de ex-alunos e professores da instituição.
No vídeo, Bonner revisita sua formação na ECA na década de 1980 e compartilha momentos decisivos que marcaram o início de sua carreira na comunicação. Entre eles, a escolha pelo curso de Comunicação Social, o ambiente efervescente da universidade e os primeiros contatos com a prática profissional.

Créditos: Divulgação/ Supervisão de Comunicação Social da USP
No depoimento, Bonner também revisita o período de preparação para o vestibular, marcado por pressão familiar, dúvidas sobre o futuro e a necessidade de conciliar estudos e vida pessoal. Ele relata conversas decisivas com o pai e lembra que a escolha profissional estava atravessada por expectativas financeiras e incertezas típicas daquele momento.
Após meses de preparação, prestou quatro vestibulares - FUVEST, PUC, FAAP e Escola Superior de Propaganda e Marketing - e foi aprovado em todos. A decisão pela ECA-USP marcou o início de sua trajetória acadêmica e profissional na comunicação.
O jornalista também relembra os primeiros passos ainda na adolescência, quando começou a criar campanhas e produtos fictícios, explorando textos, ideias e imagens. A afinidade com a escrita e o contexto de expansão da publicidade no país ajudaram a consolidar sua escolha pela área.
Outro ponto central do relato é sua passagem pela Rádio USP, onde teve seus primeiros contatos com a rotina de estúdio, locução e produção. A experiência foi determinante para sua trajetória, ao aproximá-lo da prática profissional que mais tarde o levaria ao telejornalismo. "O relato de William Bonner traduz a essência da ECA: um ambiente de liberdade que permite explorar múltiplas linguagens. Ver um símbolo do jornalismo resgatar suas raízes na Publicidade e na Rádio USP reafirma como a sólida formação proporcionada pela Escola é capaz de projetar trajetórias de grande impacto na sociedade", afirma Clotilde Perez, diretora da ECA.
Ao longo do depoimento, Bonner também fala sobre os desafios de conciliar estudo, trabalho e longos deslocamentos pela cidade de São Paulo no início da carreira. Um período intenso, marcado pela necessidade de se profissionalizar rapidamente para seguir no ar e continuar construindo seu caminho na comunicação.
Projeto registra memória da comunicação e das artes no Brasil
Criado e coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Nassar, o projeto Memórias Ecanas busca construir um acervo audiovisual sobre a história da comunicação e das artes no Brasil a partir das experiências de quem fez parte da ECA-USP.
Há duas décadas, o projeto reúne entrevistas com ex-alunos e professores, documentando transformações nas práticas comunicacionais, no ambiente universitário e no mercado ao longo do tempo. Ao registrar trajetórias individuais, a iniciativa contribui para a preservação da memória institucional e para a compreensão das mudanças na comunicação no país.
“O projeto Memórias Ecanas, hoje com mais de 300 depoimentos de integrantes da comunidade da ECA, se constitui num importante mapa simbólico de uma instituição referência no ensino dos campos da comunicação e das artes no Brasil. O projeto revela trajetórias de ex-alunos que fazem a história da comunicação e das artes no país nos últimos 60 anos, em campos como jornalismo, propaganda, teatro, artes plásticas, música, cinema, dentre outros temas, além de ser uma referência para outras escolas brasileiras e internacionais. O projeto utiliza a tecnologia social da memória criada pelo Museu da Pessoa", conta Paulo Nassar.
A parceria com o Museu da Pessoa amplia o alcance do projeto ao integrar os depoimentos a um acervo mais amplo de histórias de vida, reforçando a importância da memória como ferramenta de conhecimento e conexão social.
“Projetos como o Memórias Ecanas mostram como as trajetórias individuais ajudam a construir a memória coletiva da comunicação no Brasil. Ao contribuir com a metodologia de registro dessas histórias, ampliamos o acesso a experiências que não estão nos livros, mas que são fundamentais para entender como esse campo se desenvolveu ao longo do tempo”, afirma Karen Worcman, fundadora do Museu da Pessoa.
O vídeo completo com o depoimento de William Bonner está disponível nas plataformas digitais do projeto. Clique e assista.
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