segunda-feira, 23 de março de 2026

Internacional .

 

Almeida & Dale na Art Basel Hong Kong 2026

Galeria apresenta exposição individual de Thiago Hattnher no Kabinett, 

e reúne artistas das diásporas latino-americana e sul-asiática


Nino Kapanadze, I Can Connect Nothing With Nothing, 2024. Foto: @ADAGP, Paris, 2025. 


 — Em sua terceira participação na Art Basel Hong Kong, a Almeida & Dale apresenta uma cuidadosa seleção de obras que propõe um percurso articulado por afinidades materiais, formais e conceituais, entre diferentes gerações de artistas latino-americanos e da diáspora sul-asiática. 


O conjunto exposto no estande 3E12 reúne trabalhos de Vivian Caccuri, Alexander Calder, Ivan Campos, Saint Clair Cemin, Ana Elisa Egreja, Jaider Esbell, Chen-Kong Fang, Mauro Fuke, Tikashi Fukushima, Thiago Hattnher, Nino Kapanadze, Lang Jingshan, Lidia Lisbôa, Amadeo Luciano Lorenzato, Manabu Mabe, Akinori Nakatani, Tomie Ohtake, Lygia Pape, Sara Ramo, Mira Schendel e Alice Shintani. Já no Kabinett, Thiago Hattnher apresenta um conjunto de 12 obras que investiga o tempo e a memória sobrepondo fragmentos figurativos a campos cromáticos. 


Os artistas selecionados para a feira apresentam práticas atravessam gerações, geografias e suportes, refletindo o compromisso da galeria em fomentar diálogos transculturais e intergeracionais. Com este conjunto, a Almeida & Dale segue expandindo a presença de artistas latino-americanos e da diáspora asiática internacionalmente. 


As pinturas de Chen-Kong Fang (1931–2012) equilibram uma visão experimental da arte com a influência da pintura tradicional chinesa, sobretudo sua dimensão espiritual. Carregadas de teatralidade, suas composições se valem das texturas do cotidiano, de seus objetos e cenários. Lorenzato (1900–1995) abordou paisagens e a existência cotidiana com uma rigorosa sensibilidade construtiva, enquanto Ana Elisa Egreja (1983) cria naturezas-mortas e cenas de interior ricamente elaboradas, permeadas pelo realismo mágico, a memória da história da arte e o imaginário coletivo brasileiro. 


 A afinidade com o cânone pictórico chinês também perpassa a obra de Lang Jingshan (1892–1995), pioneiro da fotografia moderna chinesa. Criador da "fotografia composta", ele compunha meticulosamente paisagens e naturezas-mortas, tendo o vazio e a simplicidade como virtudes estéticas. Esses atributos reverberam nas pinturas de Tomie Ohtake (1913–2015), figura central da abstração brasileira, cuja obra é caracterizada por precisão poética e economia formal. Ao lado de Manabu Mabe (1924–1997), Tikashi Fukushima (1920–2001) e outros artistas da diáspora japonesa, Ohtake foi membro do Grupo Seibi, influente grupo paulistano ativo das décadas de 1930 a 60. 


Desse período em diante, diversas interpretações da abstração proliferaram pelo mundo, por meio de articulações entre forma, recombinação, construção e a releitura de formatos consolidados. As pinturas de Mira Schendel (1919–1988), as xilogravuras de Lygia Pape (1927–2004) e os móbiles de Alexander Calder (1898–1976) são expressões notavelmente distintas dessas tendências. 


Com o uso de um forno noborigama, Akinori Nakatani (1943–2023) desenvolveu uma prática em cerâmica na qual a imprevisibilidade da textura e da cor se colocam como forças criativas. Sua atenção à especificidade dos materiais e às formas orgânicas se relaciona a essas mesmas qualidades em Mauro Fuke (1961), dedicado à artesania em madeira. Em sua produção, Lidia Lisbôa (1970) transita fluidamente entre a fundição, têxteis e cerâmica na tessitura de narrativas como construção subjetiva. A abordagem escultórica de Sara Ramo (1975) prospera na convivência de elementos em suposta oposição, incorporando o contraditório e a diversidade como parte da experiência vital. 


Vivian Caccuri (1986) investiga a cultura sonora e, mais recentemente, expandiu sua atenção às mitologias em torno dos insetos — em particular, os mosquitos—, entrelaçando dados científicos, história oral e ficção. Combinando referências diversas da história da arte com formas incorporadas de objetos cotidianos, muitos dos seus trabalhos de Saint Clair Cemin (1951) tensionam as noções de uso e função. 


Jaider Esbell (1979–2021) trabalhou em múltiplos suportes para apresentar narrativas tradicionais da cosmologia Macuxi, povo indígena do norte da região amazônica. Por meio de suas imagens, possibilidades de reconfiguração e cura emergem no encontro entre diferentes formas de compreender o mundo. 


As telas de Nino Kapanadze (1990) se tornam espaços de diálogo, nas quais camadas translúcidas de cor evocam ambientes em suspensão e experiências simultaneamente íntimas e fugidias. Ao pintar o universo em que vive, a floresta amazônica, Ivan Campos (1960) não visa uma representação naturalista da floresta, mas reitera a indissociável ligação da percepção com a memória e a imaginação. Também inspirada pela natureza amazônica, Alice Shintani (1971) mobiliza contrastes cromáticos intensos para evocar as lutas da região na série "Mata", oferecendo um comentário sutil e contundente sobre o estado do mundo. 

Thiago Hattnher , Sem título [Untitled], 2025. Foto: Filipe Berndt

IMAGENS DE DIVULGAÇÃO


Kabinett de Thiago Hattnher  


A Almeida & Dale apresenta uma exposição individual de Thiago Hattnher (1990, São Paulo) em seu Kabinett. Reunindo pinturas criadas especificamente para a ocasião, a seleção inclui obras em óleo sobre tela e polietileno, em formatos intimistas e de tamanho médio.  


A pesquisa de Hattnher é baseada na experimentação com a pintura em diferentes suportes e com técnicas variadas, criando superfícies nas quais gêneros pictóricos, memórias e cenas cotidianas coexistem. No espaço de uma única tela, diferentes temporalidades, temperamentos e tonalidades se desenrolam: arranjos florais, campos geométricos e silhuetas de paisagens coexistem, guiando o olhar por diferentes caminhos, sem um ponto de partida ou chegada definido — provocando uma experiência igualmente dinâmica e intimamente silenciosa.  


Tal simultaneidade resulta em trabalhos que abordam tanto ritmo, duração e intervalo quanto a relação com a imagem contemporaneamente e ao longo da história. Variações cromáticas, pausas e contrastes repentinos criam um senso de ritmo e ressonância, enquanto interrupções sutis ativam a superfície com precisão. Como anotações — breves gestos que preservam uma experiência sem formar uma narrativa completa —, as pinturas de Hattnher não condensam um enredo definido. As diversas imagens que ocupam uma mesma superfície convidam à criação de montagens, sequências e episódios movediços. O aspecto sutil, embora provocativo, da obra ecoa, de certo modo, a superposição infinita de imagens na contemporaneidade, ao mesmo tempo em que parece desafiar.  


O conjunto exposto reflete, ainda, a constante experimentação na prática de Hattner. Ao pintar sobre tela ou polietileno, o artista enfrenta a pintura com novas abordagens, redescobrindo e retrabalhando a pintura em cada superfície. Assim, suas obras incorporam diferentes marcas e gestos da sua criação — sobreposições, interrupções e hesitações que incorporam ação, reflexão e silêncio, tornando-se testemunhos das conversas entre o artista e sua linguagem.  


A obra de Thiago Hattnher equilibra de maneira única a contemplação silenciosa com a experimentação radical das possibilidades da pintura e vem recebendo crescente destaque em exposições em São Paulo, Nova York, Londres, Paris e Lisboa. 


Sobre Almeida & Dale 


Fundada em São Paulo, em 1998, a Almeida & Dale promove o legado de artistas emblemáticos e emergentes, ao impulsionar a produção contemporânea nos cenários nacional e internacional. Com três endereços em São Paulo, a galeria realiza um programa expositivo e editorial de excelência, estabelece parcerias com instituições e coleções de renome e está presente nas principais feiras de arte mundiais, o que a posiciona como uma das mais influentes galerias brasileiras. 


Representando mais de 50 artistas e espólios, reúne nomes fundamentais dos modernismos brasileiros, figuras-chave para a formação da arte contemporânea e a sua projeção internacional, além de artistas em plena atuação que continuam a redefinir o horizonte artístico. Em 2025, ao finalizar sua fusão com a prestigiada galeria Millan, estabelecida em 1986, também em São Paulo, a Almeida & Dale abraça um histórico de comprometimento profundo com o experimentalismo artístico, de colaboração estreita com artistas para os posicionar nas principais exposições e instituições do mundo e de impulsionamento internacional de carreiras. 


De maneira ativa, a galeria assume o desafio de difundir múltiplas perspectivas e novas aproximações, centrada em ser uma plataforma para os artistas em projetos potentes. Ao unir expertise artística e um olhar estratégico para as dinâmicas globais do setor, a galeria fomenta a expansão e a capilarização da arte latino-americana por meio de uma atuação que segue amplificando e impulsionando o mercado globalmente. A Almeida & Dale é liderada pelos sócios-executivos Antonio Almeida, Carlos Dale, Hena Lee e João Marcelo de Andrade Lima. 


Serviço


Art Basel Hong Kong 2026

27 a 29 de março de 2026

Almeida & Dale | Estande 3E12

Convention & Exhibition Centre 

1 Harbour Road, Wan Chai, Hong Kong, China


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