— Em sua terceira participação na Art Basel Hong Kong, a Almeida & Dale apresenta uma cuidadosa seleção de obras que propõe um percurso articulado por afinidades materiais, formais e conceituais, entre diferentes gerações de artistas latino-americanos e da diáspora sul-asiática.
O conjunto exposto no estande 3E12 reúne trabalhos de Vivian Caccuri, Alexander Calder, Ivan Campos, Saint Clair Cemin, Ana Elisa Egreja, Jaider Esbell, Chen-Kong Fang, Mauro Fuke, Tikashi Fukushima, Thiago Hattnher, Nino Kapanadze, Lang Jingshan, Lidia Lisbôa, Amadeo Luciano Lorenzato, Manabu Mabe, Akinori Nakatani, Tomie Ohtake, Lygia Pape, Sara Ramo, Mira Schendel e Alice Shintani. Já no Kabinett, Thiago Hattnher apresenta um conjunto de 12 obras que investiga o tempo e a memória sobrepondo fragmentos figurativos a campos cromáticos.
Os artistas selecionados para a feira apresentam práticas atravessam gerações, geografias e suportes, refletindo o compromisso da galeria em fomentar diálogos transculturais e intergeracionais. Com este conjunto, a Almeida & Dale segue expandindo a presença de artistas latino-americanos e da diáspora asiática internacionalmente.
As pinturas de Chen-Kong Fang (1931–2012) equilibram uma visão experimental da arte com a influência da pintura tradicional chinesa, sobretudo sua dimensão espiritual. Carregadas de teatralidade, suas composições se valem das texturas do cotidiano, de seus objetos e cenários. Lorenzato (1900–1995) abordou paisagens e a existência cotidiana com uma rigorosa sensibilidade construtiva, enquanto Ana Elisa Egreja (1983) cria naturezas-mortas e cenas de interior ricamente elaboradas, permeadas pelo realismo mágico, a memória da história da arte e o imaginário coletivo brasileiro.
A afinidade com o cânone pictórico chinês também perpassa a obra de Lang Jingshan (1892–1995), pioneiro da fotografia moderna chinesa. Criador da "fotografia composta", ele compunha meticulosamente paisagens e naturezas-mortas, tendo o vazio e a simplicidade como virtudes estéticas. Esses atributos reverberam nas pinturas de Tomie Ohtake (1913–2015), figura central da abstração brasileira, cuja obra é caracterizada por precisão poética e economia formal. Ao lado de Manabu Mabe (1924–1997), Tikashi Fukushima (1920–2001) e outros artistas da diáspora japonesa, Ohtake foi membro do Grupo Seibi, influente grupo paulistano ativo das décadas de 1930 a 60.
Desse período em diante, diversas interpretações da abstração proliferaram pelo mundo, por meio de articulações entre forma, recombinação, construção e a releitura de formatos consolidados. As pinturas de Mira Schendel (1919–1988), as xilogravuras de Lygia Pape (1927–2004) e os móbiles de Alexander Calder (1898–1976) são expressões notavelmente distintas dessas tendências.
Com o uso de um forno noborigama, Akinori Nakatani (1943–2023) desenvolveu uma prática em cerâmica na qual a imprevisibilidade da textura e da cor se colocam como forças criativas. Sua atenção à especificidade dos materiais e às formas orgânicas se relaciona a essas mesmas qualidades em Mauro Fuke (1961), dedicado à artesania em madeira. Em sua produção, Lidia Lisbôa (1970) transita fluidamente entre a fundição, têxteis e cerâmica na tessitura de narrativas como construção subjetiva. A abordagem escultórica de Sara Ramo (1975) prospera na convivência de elementos em suposta oposição, incorporando o contraditório e a diversidade como parte da experiência vital.
Vivian Caccuri (1986) investiga a cultura sonora e, mais recentemente, expandiu sua atenção às mitologias em torno dos insetos — em particular, os mosquitos—, entrelaçando dados científicos, história oral e ficção. Combinando referências diversas da história da arte com formas incorporadas de objetos cotidianos, muitos dos seus trabalhos de Saint Clair Cemin (1951) tensionam as noções de uso e função.
Jaider Esbell (1979–2021) trabalhou em múltiplos suportes para apresentar narrativas tradicionais da cosmologia Macuxi, povo indígena do norte da região amazônica. Por meio de suas imagens, possibilidades de reconfiguração e cura emergem no encontro entre diferentes formas de compreender o mundo.
As telas de Nino Kapanadze (1990) se tornam espaços de diálogo, nas quais camadas translúcidas de cor evocam ambientes em suspensão e experiências simultaneamente íntimas e fugidias. Ao pintar o universo em que vive, a floresta amazônica, Ivan Campos (1960) não visa uma representação naturalista da floresta, mas reitera a indissociável ligação da percepção com a memória e a imaginação. Também inspirada pela natureza amazônica, Alice Shintani (1971) mobiliza contrastes cromáticos intensos para evocar as lutas da região na série "Mata", oferecendo um comentário sutil e contundente sobre o estado do mundo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário