sexta-feira, 6 de março de 2020

Semana Mundial do Glaucoma alerta sobre a doença.


De 8 a 14 de março é realizada a Semana Mundial do Glaucoma. A ação é uma iniciativa da Associação Mundial de Glaucoma e tem como objetivo de alertar a população sobre os riscos que a doença causa à visão. O glaucoma é uma doença multifatorial que atinge o nervo óptico e, se não tratada, pode causar perda de visão. A doença é assintomática, ou seja, ocorre sem a manifestação de sintomas perceptíveis. “Por isso, é importante realizar exames oftalmológicos periodicamente, já que o problema pode piorar com o passar do tempo”, alerta a médica oftalmologista Dra. Heloisa Russ, especialista em glaucoma.


Dra. Heloisa explica que a doença é causada principalmente pela elevação da pressão intraocular, que ocorre quando há acúmulo de fluido no olho (que tem como função carregar nutrientes para o cristalino e para a córnea e manter a tensão ocular), seja pelo aumento da produção ou diminuição da drenagem. “Quando não tratado adequadamente, o glaucoma pode levar à cegueira, enfatiza a oftalmologista.
A doença ocular é considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que são registrados 2,4 milhões de novos casos de glaucoma anualmente, o que totaliza 60 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma, o problema acomete 2% dos brasileiros com idade superior a 40 anos, resultando em cerca de um milhão de pessoas. “O problema não atinge somente os adultos, crianças também podem ser acometidas pela doença, porém os casos são mais raros, frisa a médica.
Diagnóstico
A oftalmologista explica que é feito por meio da medida de pressão intraocular (tonometria) e da avaliação do nervo óptico. A documentação do nervo óptico deve ser realizada pela retinografia e/ou estereofotografia de papila. “Associa-se ainda exames para avaliação anatômico-estrutural como o OCT (tomografia de coerência óptica) que avalia a camada de fibras nervosas e funcionais, como a campimetria computadorizada”, complementa Dra. Heloisa.
Tratamento
Pode ser realizado por meio de colírios, laser ou cirurgia. O objetivo do tratamento consiste em reduzir a pressão intraocular. “Quando os colírios ou o laser não são suficientes para alcançar o controle da pressão ocular, o médico pode sugerir a realização de cirurgia”, ressalta a médica.
Dra. Heloisa explica que o tratamento de glaucoma tem como objetivo reduzir a pressão ocular por meio do uso de colírios, cirurgia ou com laser. Dentre os procedimentos disponíveis, a médica destaca a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT) que hoje é citada como a primeira escolha no tratamento de glaucoma de ângulo aberto em alguns países dado o baixo índice de complicações e eficácia do procedimento em glaucoma de ângulo aberto.
Outra opção é o micropulso (cyclo G6), trata-se de um mecanismo moderno, é uma nova opção de tratamento ao arsenal terapêutico do glaucoma, agregando segurança, baixa agressividade e possibilidade de repetição. O método é minimamente invasivo e indolor. “O processo cirúrgico foi desenvolvido recentemente, é uma inovação na forma de tratar o glaucoma que necessita de cirurgia”, enfatiza a especialista.
Com ele ocorre uma redução da produção do humor aquoso (líquido que é responsável por dar a pressão ao olho) e supostamente associação de mecanismo de aumento de sua drenagem e com isso, obtém-se a redução da pressão intraocular de maneira mais natural. “O processo é mais seguro, já que dispensa cortes, é rápido (dura cerca de 10 minutos) e ainda minimiza os riscos de inflamação pós-cirúrgica”, ressalta a oftalmologista.
Além disso, pode ser realizado em vários estágios da doença, preferencialmente em ângulo aberto, mas também é possível em ângulo fechado e formas refratárias, inclusive em crianças dada a segurança e possibilidade de repetição e ainda proporciona ao paciente um retorno mais rápido às atividades cotidianas.
Fatores de risco associados ao glaucoma:
- miopia elevada;
- pressão intraocular elevada;
- idade acima de 40 anos;
- negros são mais propensos a desenvolver glaucoma do que pessoas caucasianas, asiáticas e latinas;
- histórico familiar de glaucoma pode elevar as chances de um indivíduo desenvolver a doença também;
- doenças no olho, como alguns tumores, descolamento de retina e inflamações, aumentam o risco de glaucoma;
- fazer uso por muito tempo de medicamentos à base de corticosteroides;
- espessura corneana fina.
Além disso, entre os principais fatores de risco que podem levar à doença estão diabetes, problemas cardíacos, distúrbios vasculares (hipertensão e hipotensão arterial), hipertireoidismo e apneia do sono. “Estudos apontam que pessoas portadoras de diabetes e hipertensão arterial estão mais propensas ao glaucoma”, destaca Dra. Heloisa.
Se ocorrer ainda dores nos olhos, visão distorcida, aureolas de arco-íris ao redor das luzes, dor de cabeça, náusea e vômito, deve-se procurar um oftalmologista.
Tipos de glaucoma
Glaucoma primário de ângulo aberto:
 é responsável por quase 90% dos casos de glaucoma e é frequentemente assintomático, ou seja, não há sintomas até um estágio avançado, a menos que o paciente visite o oftalmologista com regularidade. A pressão intraocular sobe lentamente devido uma drenagem do líquido ocular menos eficiente que o normal.
Glaucoma de pressão normal: também conhecido como glaucoma de baixa pressão, é uma forma de glaucoma em que ocorre dano ao nervo óptico, sem elevação da pressão intraocular a níveis superiores do considerado normal. As causas deste tipo de glaucoma ainda são desconhecidas, porém, entre os que apresentam maior risco para esta forma de glaucoma, estão: pessoas com história familiar de glaucoma de pressão normal, pessoas de descendência japonesa e pessoas com história de doença cardiovascular.
Glaucoma de ângulo fechado: também conhecido como glaucoma de ângulo estreito. Neste tipo de glaucoma, o ângulo entre a íris e a córnea é mais estreito do que o normal, o que dificulta a drenagem do líquido intraocular, causando aumento súbito da pressão dentro do olho. Os sintomas de glaucoma de ângulo fechado podem incluir dores de cabeça, dor nos olhos, náuseas, arco-íris em torno de luzes à noite e visão muito turva, de aparição intermitente.
Glaucoma congênito: acomete bebês e crianças pequenas e geralmente é diagnosticado dentro do primeiro ano de vida. Esta é uma condição rara que pode ser herdada ou causada pelo desenvolvimento incorreto do sistema de drenagem do olho antes do nascimento. Isto conduz a uma pressão intraocular aumentada, que por sua vez danifica o nervo óptico. Os sintomas do glaucoma congênito incluem olhos aumentados (conhecido como buftalmo), lacrimejamento excessivo, opacidade da córnea e fotossensibilidade (sensibilidade à luz).
Glaucoma secundário: é quando o glaucoma tem origem em outra doença que causa ou contribui para aumento da pressão intraocular, resultando em dano do nervo óptico e perda de visão. Pode ocorrer como resultado de trauma ocular, inflamação, tumor, uso de medicamentos oculares ou sistêmicos, ou em casos avançados de catarata ou diabetes.

Dra. Heloisa Russ - É graduada em Medicina pela UFPR, fez Residência Médica em Oftalmologia pela Unicamp, onde também realizou Mestrado e Sub-especialização em Glaucoma. Em seguida, se tornou Doutora pela USP e Pós-Doutora pela Unifesp.
A médica oftalmologista é membro de diversos Conselhos e Associações, dentre os quais estão o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, a Sociedade Latino-Americana de Glaucoma, a ARVO (The Association for Research in Vision and Ophthalmology) e a Sociedade Brasileira de Glaucoma.

Dra. Heloisa Russ é também autora de artigos científicos e capítulos de livros na área de Glaucoma e Oftalmologia Social. Além disso, é professora associada da pós-graduação da UFPR e da Unifesp.

  

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