INDICADO AO OSCAR, KOKUHO – O PREÇO DA PERFEIÇÃO ESTREIA NOS CINEMAS NESTA QUINTA-FEIRA. |
Exibido na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes, o longa concorre à estatueta de Melhor Maquiagem e Cabelo no Oscar. |
Estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros KOKUHO – O PREÇO DA PERFEIÇÃO. Exibido na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes, o longa concorre à estatueta de Melhor Maquiagem e Cabelo no Oscar e chega ao país após se tornar um fenômeno de público no Japão, onde alcançou a maior bilheteria do ano entre as produções live-action japonesas.
Em uma parceria inédita de codistribuição entre a Sato Company e a Imovision, o filme entra em cartaz em Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Eusébio (CE), Goiânia (GO), Itapetininga (SP), Porto Alegre (RS), Rio Claro (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Vargem Grande Paulista (SP). |
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Dirigido por Lee Sang-il, o longa é baseado no romance homônimo de Shuichi Yoshida, e acompanha a trajetória de Kikuo, um jovem que testemunha o assassinato do pai durante um ataque da yakuza e tem sua vida transformada ao ser acolhido pelo lendário ator de kabuki Hanai Hanjiro II. Impressionado pelo talento do garoto, o mestre o introduz em um universo regido por disciplina extrema, repetição absoluta do gesto e respeito rigoroso à linhagem.
Rebatizado como Toichiro, Kikuo passa a treinar ao lado de Shunsuke, filho biológico de Hanjiro e herdeiro natural da tradicional casa Tanba-ya. Criados juntos, os dois desenvolvem uma relação marcada por afeto, rivalidade e silêncio, enquanto se preparam para ocupar o centro do palco. Quando o mestre adoece, a sucessão se torna inevitável — e a busca pela perfeição cobra seu preço.
O protagonista é interpretado em duas fases: Sōya Kurokawa, revelação de Monster, vive Kikuo na adolescência, enquanto Ryô Yoshizawa, astro da franquia Kingdom, assume o papel na fase adulta, atuação que lhe rendeu indicações aos principais prêmios da crítica japonesa.
O elenco reúne ainda Ken Watanabe (O Último Samurai), Ryusei Yokohama, Keitatsu Koshiyama, Min Tanaka e Shinobu Terajima. Lee Sang-il é conhecido internacionalmente por Hula Girls, vencedor do prêmio de Melhor Filme Japonês pela revista Kinema Junpo, e pela refilmagem de Os Imperdoáveis, clássico dirigido por Clint Eastwood.
KOKUHO – O PREÇO DA PERFEIÇÃO teve sua première na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes, passou por festivais como Toronto, Shanghai e Busan, e realizou suas primeiras exibições no Brasil em outubro, durante o Festival do Rio. |
A HISTÓRIA DO KABUKI O kabuki surge por volta de 1603, quando a sacerdotisa Izumo no Okuni passou a apresentar, em Kyoto, então capital do Japão, performances que misturavam dança, teatralidade e provocação. O sucesso foi imediato — e também incômodo. As atrizes se tornaram celebridades e passaram a ser “disputadas” pelo público masculino. O xogunato Tokugawa, que comandava o país, começou a associar esse tipo de espetáculo como espaço de agitação social e, em 1629, as mulheres foram proibidas de atuar. Jovens rapazes, com aparências e vozes mais delicadas, assumiram os papéis femininos, mas acabaram vetados pelo mesmo motivo. Surgiu então a tradição de companhias exclusivamente formadas por homens adultos, o que gerou a figura do onnagata, o ator especializado em interpretar mulheres de maneira rigorosa e estilizada.
Entre 1673 e 1735, na era Genroku, o kabuki aumentou sua popularidade e chegou a sua maturidade estética: foi quando as estruturas dramáticas da peças, os tipos de personagens e as poses mie — momentos em que o ator “congela” para cristalizar sua emoção para a plateia — foram consolidadas. Nesta época ainda se convencionou usar a maquiagem “kumadori”, com traços marcados que parecem máscaras pintadas no próprio rosto. Em 1868, com o fim do xogunato, a ascensão de um novo imperador e a abertura do Japão ao Ocidente, atores e dramaturgos iniciaram um movimento para serem reconhecidos entre as elites. Em 1887, depois de assistir a uma apresentação, o imperador Meiji, elevou o status do kabuki no cenário cultural japonês. Hoje, além de ser a mais popular das artes dramáticas tradicionais do país, o estilo passou a ser considerado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Kokuho - O Preço da Perfeição registra como esta arte que nasceu da ruptura passa a exigir controle, rigidez e disciplina absoluta – tradição – e o que isso custa para o artista. A complexidade desse retrato tem sido bastante reconhecida: o longa lidera as indicações ao Prêmio da Academia de Cinema do Japão, o principal do país, com 17 nomeações, entre elas Filme, Direção e Roteiro. Além disso, oito integrantes do elenco estão entre os finalistas nas cinco categorias de atuação. Os brasileiros vão poder conferir o filme a partir da próxima quinta-feira, 5 de março. |
O QUE SIGNIFICA “KABUKI”? O termo “kabuki” deriva do verbo japonês “kabuku”, que significa “inclinar-se” ou “desviar-se” — no sentido de agir de forma excêntrica, fora das convenções. No início do século XVII, os chamados “kabukimono” eram jovens, em geral ligados à classe samurai, conhecidos por trajes extravagantes, penteados incomuns e comportamento desafiador. Circulavam pelas cidades rompendo códigos sociais rígidos — e é desse espírito de desvio que o teatro herdou seu nome.
Mais tarde, a palavra passou a ser grafada com três ideogramas que enfatizam seu caráter artístico: 歌 (ka), canto; 舞 (bu), dança; e 伎 (ki), técnica ou habilidade. Consolidou-se assim a ideia de “arte do canto e da dança”, mas a origem do termo preserva algo essencial: o kabuki nasce do gesto de se inclinar para fora da norma — e de transformar essa inclinação em forma. |
SINOPSE Nagasaki, 1964. Após a morte de seu pai, líder de uma gangue da yakuza, o jovem Kikuo, de 14 anos, é acolhido por um famoso ator de kabuki. Ao lado de Shunsuke, o único filho do ator, ele decide se dedicar a essa tradicional forma de teatro. Ao longo das décadas, os dois crescem e evoluem juntos, da escola de atuação aos palcos mais grandiosos. Em meio a escândalos e glórias, irmandade e traições, um deles se tornará o maior mestre japonês da arte do kabuki.
O DIRETOR Lee Sang-il (李相日, Ri San’iru) é um cineasta japonês de origem coreana. Ganhou projeção internacional com Hula Girls (2006), vencedor dos prêmios de Melhor Direção e Melhor Roteiro no Japanese Academy Awards, além de ter sido eleito o melhor filme japonês do ano pela Kinema Junpo. Seu longa Os Imperdoáveis foi exibido na seção Special Presentations do Festival de Toronto em 2013. Em 2025, Kokuho consolidou-se como um dos filmes japoneses de maior bilheteria de todos os tempos.
FICHA TÉCNICA Direção: Lee Sang-il Roteiro: Satoko Okudera Produção: Shinzo Matsuhashi, Chieko Murata Direção de Fotografia: Sofian El Fani Direção de Arte: Yohei Taneda Figurino: Kumiko Ogawa Montagem: Tsuyoshi Imai Som: Mitsugu Shiratori Música: Marihiko Hara Gênero: Drama País: Japão Ano: 2025 Duração: 174 minutos
ELENCO Ryô Yoshizawa – Kikuo Tachibana / Hanai Toichiro Sōya Kurokawa – Kikuo (jovem) Ryusei Yokohama – Shunsuke Ōgaki / Hanai Han’ya Keitatsu Koshiyama – Shunsuke (jovem) Ken Watanabe – Hanai Hanjiro II Mitsuki Takahata – Harue Fukuda Shinobu Terajima – Sachiko Ōgaki Nana Mori – Akiko Ai Mikami – Fujikoma Kumi Takiuchi – Ayano Masatoshi Nagase – Gongorō Tachibana Emma Miyazawa – Matsu Tachibana Takahiro Miura – Takeno Kyusaku Shimada – Umeki Tateto Serizawa – Genkichi Nakamura Ganjirō IV – pai de Akiko Min Tanaka – Onogawa Mangiku
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SOBRE A SATO COMPANY Fundada em 1985, a SATO Company é pioneira e referência na distribuição de animes e tokusatsu no Brasil. Seu portfólio inclui títulos icônicos como Akira, Ghost in the Shell, Ultraman, Jaspion e Jiraiya. A empresa atua nas áreas de produção, distribuição para cinema, televisão e plataformas digitais, além de agregação de conteúdo e licenciamento.
A SATO foi responsável por trazer ao Brasil os vencedores do Oscar Godzilla Minus One e O Menino e a Garça e, em 2025, realizou o Ghibli Fest, celebrando os 40 anos da distribuidora e do Studio Ghibli. |
SOBRE A IMOVISION Presente no Brasil há 35 anos, a Imovision vem se consolidando como uma das maiores incentivadoras do melhor cinema mundial na América latina, tendo lançado mais de 500 filmes no Brasil.
Criada pelo empresário Jean Thomas Bernardini, a distribuidora tem em seu catálogo, realizações de consagrados diretores estrangeiros e brasileiros, e filmes premiados nos mais prestigiados festivais de cinema do mundo, como Cannes, Veneza e Berlim.
Mantendo seu foco em títulos de qualidade, a Imovision fortificou o cinema francês no Brasil e foi a responsável por introduzir cinematografias raras e movimentos internacionais expressivos no país, como o Movimento Dogma 95 e o Cinema Iraniano. |
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