quinta-feira, 5 de março de 2026

 

Dirigido por Lee Sang-il, o longa é baseado no romance homônimo de Shuichi Yoshida, e acompanha a trajetória de Kikuo, um jovem que testemunha o assassinato do pai durante um ataque da yakuza e tem sua vida transformada ao ser acolhido pelo lendário ator de kabuki Hanai Hanjiro II. Impressionado pelo talento do garoto, o mestre o introduz em um universo regido por disciplina extrema, repetição absoluta do gesto e respeito rigoroso à linhagem.

Rebatizado como Toichiro, Kikuo passa a treinar ao lado de Shunsuke, filho biológico de Hanjiro e herdeiro natural da tradicional casa Tanba-ya. Criados juntos, os dois desenvolvem uma relação marcada por afeto, rivalidade e silêncio, enquanto se preparam para ocupar o centro do palco. Quando o mestre adoece, a sucessão se torna inevitável — e a busca pela perfeição cobra seu preço.

O protagonista é interpretado em duas fases: Sōya Kurokawa, revelação de Monster, vive Kikuo na adolescência, enquanto Ryô Yoshizawa, astro da franquia Kingdom, assume o papel na fase adulta, atuação que lhe rendeu indicações aos principais prêmios da crítica japonesa.

O elenco reúne ainda Ken Watanabe (O Último Samurai), Ryusei Yokohama, Keitatsu Koshiyama, Min Tanaka e Shinobu Terajima. Lee Sang-il é conhecido internacionalmente por Hula Girls, vencedor do prêmio de Melhor Filme Japonês pela revista Kinema Junpo, e pela refilmagem de Os Imperdoáveis, clássico dirigido por Clint Eastwood.

KOKUHO – O PREÇO DA PERFEIÇÃO teve sua première na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes, passou por festivais como Toronto, Shanghai e Busan, e realizou suas primeiras exibições no Brasil em outubro, durante o Festival do Rio.

 

A HISTÓRIA DO KABUKI
O kabuki surge por volta de 1603, quando a sacerdotisa Izumo no Okuni passou a apresentar, em Kyoto, então capital do  Japão, performances que misturavam dança, teatralidade e provocação. O sucesso foi imediato — e também incômodo. As atrizes se tornaram celebridades e passaram a ser “disputadas” pelo público masculino. O xogunato Tokugawa, que comandava o país, começou a associar esse tipo de espetáculo como espaço de agitação social e, em 1629, as mulheres foram proibidas de atuar. Jovens rapazes, com aparências e vozes mais delicadas, assumiram os papéis femininos, mas acabaram vetados pelo mesmo motivo. Surgiu então a tradição de companhias exclusivamente formadas por homens adultos, o que gerou a figura do onnagata, o ator especializado em interpretar mulheres de maneira rigorosa e estilizada.

Entre 1673 e 1735, na era Genroku, o kabuki aumentou sua popularidade e chegou a sua maturidade estética: foi quando as estruturas dramáticas da peças, os tipos de personagens e as poses mie — momentos em que o ator “congela” para cristalizar sua emoção para a plateia — foram consolidadas. Nesta época ainda se convencionou usar a maquiagem “kumadori”, com traços marcados que parecem máscaras pintadas no próprio rosto. Em 1868, com o fim do xogunato, a ascensão de um novo imperador e a abertura do Japão ao Ocidente, atores e dramaturgos iniciaram um movimento para serem reconhecidos entre as elites. Em 1887, depois de assistir a uma apresentação, o imperador Meiji, elevou o status do kabuki no cenário cultural japonês. Hoje, além de ser a mais popular das artes dramáticas tradicionais do país, o estilo passou a ser considerado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Kokuho - O Preço da Perfeição registra como esta arte que nasceu da ruptura passa a exigir controle, rigidez e disciplina absoluta – tradição – e o que isso custa para o artista. A complexidade desse retrato tem sido bastante reconhecida: o longa lidera as indicações ao Prêmio da Academia de Cinema do Japão, o principal do país, com 17 nomeações, entre elas Filme, Direção e Roteiro. Além disso, oito integrantes do elenco estão entre os finalistas nas cinco categorias de atuação. Os brasileiros vão poder conferir o  filme a partir da próxima quinta-feira, 5 de março.

 

O QUE SIGNIFICA “KABUKI”?
O termo “kabuki” deriva do verbo japonês “kabuku”, que significa “inclinar-se” ou “desviar-se” — no sentido de agir de forma excêntrica, fora das convenções. No início do século XVII, os chamados “kabukimono” eram jovens, em geral ligados à classe samurai, conhecidos por trajes extravagantes, penteados incomuns e comportamento desafiador. Circulavam pelas cidades rompendo códigos sociais rígidos — e é desse espírito de desvio que o teatro herdou seu nome.

Mais tarde, a palavra passou a ser grafada com três ideogramas que enfatizam seu caráter artístico: 歌 (ka), canto; 舞 (bu), dança; e 伎 (ki), técnica ou habilidade. Consolidou-se assim a ideia de “arte do canto e da dança”, mas a origem do termo preserva algo essencial: o kabuki nasce do gesto de se inclinar para fora da norma — e de transformar essa inclinação em forma.

 

SINOPSE
Nagasaki, 1964. Após a morte de seu pai, líder de uma gangue da yakuza, o jovem Kikuo, de 14 anos, é acolhido por um famoso ator de kabuki. Ao lado de Shunsuke, o único filho do ator, ele decide se dedicar a essa tradicional forma de teatro. Ao longo das décadas, os dois crescem e evoluem juntos, da escola de atuação aos palcos mais grandiosos. Em meio a escândalos e glórias, irmandade e traições, um deles se tornará o maior mestre japonês da arte do kabuki.



O DIRETOR
Lee Sang-il (李相日, Ri San’iru) é um cineasta japonês de origem coreana. Ganhou projeção internacional com Hula Girls (2006), vencedor dos prêmios de Melhor Direção e Melhor Roteiro no Japanese Academy Awards, além de ter sido eleito o melhor filme japonês do ano pela Kinema Junpo. Seu longa Os Imperdoáveis foi exibido na seção Special Presentations do Festival de Toronto em 2013. Em 2025, Kokuho consolidou-se como um dos filmes japoneses de maior bilheteria de todos os tempos.


FICHA TÉCNICA
Direção: Lee Sang-il
Roteiro: Satoko Okudera
Produção: Shinzo Matsuhashi, Chieko Murata
Direção de Fotografia: Sofian El Fani
Direção de Arte: Yohei Taneda
Figurino: Kumiko Ogawa
Montagem: Tsuyoshi Imai
Som: Mitsugu Shiratori
Música: Marihiko Hara
Gênero: Drama
País: Japão
Ano: 2025
Duração: 174 minutos

ELENCO

Ryô Yoshizawa – Kikuo Tachibana / Hanai Toichiro
Sōya Kurokawa – Kikuo (jovem)
Ryusei Yokohama – Shunsuke Ōgaki / Hanai Han’ya
Keitatsu Koshiyama – Shunsuke (jovem)
Ken Watanabe – Hanai Hanjiro II
Mitsuki Takahata – Harue Fukuda
Shinobu Terajima – Sachiko Ōgaki
Nana Mori – Akiko
Ai Mikami – Fujikoma
Kumi Takiuchi – Ayano
Masatoshi Nagase – Gongorō Tachibana
Emma Miyazawa – Matsu Tachibana
Takahiro Miura – Takeno
Kyusaku Shimada – Umeki
Tateto Serizawa – Genkichi
Nakamura Ganjirō IV – pai de Akiko
Min Tanaka – Onogawa Mangiku

 

SOBRE A SATO COMPANY
Fundada em 1985, a SATO Company é pioneira e referência na distribuição de animes e tokusatsu no Brasil. Seu portfólio inclui títulos icônicos como AkiraGhost in the ShellUltramanJaspion e Jiraiya. A empresa atua nas áreas de produção, distribuição para cinema, televisão e plataformas digitais, além de agregação de conteúdo e licenciamento.

A SATO foi responsável por trazer ao Brasil os vencedores do Oscar Godzilla Minus One e O Menino e a Garça e, em 2025, realizou o Ghibli Fest, celebrando os 40 anos da distribuidora e do Studio Ghibli.

SOBRE A IMOVISION
Presente no Brasil há 35 anos, a Imovision vem se consolidando como uma das maiores incentivadoras do melhor cinema mundial na América latina, tendo lançado mais de 500 filmes no Brasil.

Criada pelo empresário Jean Thomas Bernardini, a distribuidora tem em seu catálogo, realizações de consagrados diretores estrangeiros e brasileiros, e filmes premiados nos mais prestigiados festivais de cinema do mundo, como Cannes, Veneza e Berlim.

Mantendo seu foco em títulos de qualidade, a Imovision fortificou o cinema francês no Brasil e foi a responsável por introduzir cinematografias raras e movimentos internacionais expressivos no país, como o Movimento Dogma 95 e o Cinema Iraniano.

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