segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Consumidor.

 

Bem-estar animal virou marketing? ONG alerta para avanço do “humane washing” no Brasil


Galinhas Felizes, campanhas publicitárias prometem ética na produção de ovos, mas falta transparência, prazos claros e comprovação real das mudanças, alerta a STOP HUMANE WASHING.

O uso do bem-estar animal como estratégia de marketing tem crescido no Brasil, mas nem sempre é acompanhado de mudanças concretas na cadeia produtiva. Esse descompasso entre discurso e prática é conhecido como humane washing — quando empresas promovem uma imagem ética enquanto mantêm sistemas de produção que geram sofrimento animal.


É o que alerta a ONG STOP HUMANE WASHING (SHW), que lança uma nova etapa da campanha Porta-voz Animal, iniciativa nacional que busca informar consumidores, estimular a transparência corporativa e cobrar coerência entre promessas públicas e ações efetivas no setor alimentício.


Segundo a organização, um dos principais focos de atenção está na produção de ovos. Embora diversas empresas tenham anunciado compromissos para eliminar o uso de gaiolas na criação de galinhas, muitas não apresentam relatórios públicos, auditorias independentes ou dados verificáveis que comprovem o avanço dessas metas.


“Quando o marketing fala mais alto que a prática, o consumidor é induzido ao erro. Bem-estar animal não pode ser apenas uma narrativa bonita na embalagem — precisa ser um compromisso real, com prazos, metas e transparência”, afirma o porta-voz da STOP HUMANE WASHING.

Estimativas do setor indicam que mais de 90% das galinhas poedeiras no Brasil ainda são criadas em sistemas com algum grau de confinamento, o que contrasta com os compromissos públicos já anunciados por diversas marcas.


Um problema que afeta o consumidor

A campanha Porta-voz Animal também tem caráter educativo. A ONG destaca que, no Brasil, milhões de galinhas ainda vivem confinadas em gaiolas durante toda a vida, em espaços extremamente reduzidos, o que compromete sua saúde e bem-estar.


Dados de pesquisas de opinião indicam que a maioria dos consumidores brasileiros rejeita esse tipo de sistema de confinamento, evidenciando um desalinhamento entre o que a sociedade espera e o que ainda é praticado por parte do mercado.


Enquanto países avançam com restrições legais ao uso de gaiolas, no Brasil muitos dos prazos voluntários anunciados por empresas se aproximam do fim, sem que haja clareza sobre os resultados alcançados até agora.


Porta-voz Animal: termômetro de credibilidade

A STOP HUMANE WASHING define o Porta-voz Animal como um termômetro público de credibilidade corporativa. A iniciativa busca:


• Tornar visíveis incoerências entre discurso e prática no setor alimentício;

• Cobrar transparência de empresas que atrasam ou omitem informações sobre seus compromissos;

• Informar consumidores sobre riscos de propaganda enganosa ligada ao bem-estar animal.


Como parte da campanha, a ONG também realizará ações públicas e mobilizações simbólicas para ampliar o debate sobre humane washing e pressionar por mudanças estruturais no setor.


“O consumidor não é culpado por não saber, mas tem o direito de saber. Quando há informação, há escolha — e isso move transformações reais. Nosso objetivo é tornar visível o que hoje está oculto nas embalagens e na publicidade, conclui a organização.


Estimativas do setor indicam que mais de 90% das galinhas poedeiras no Brasil ainda são criadas em sistemas com algum grau de confinamento, o que contrasta com os compromissos públicos já anunciados por diversas marcas.

 







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