segunda-feira, 14 de setembro de 2026

 

Massas digitais ampliam riscos de manipulação e enfraquecem o debate público, aponta pesquisador

Estudo relaciona fake news, cancelamento e ciberpopulismo às transformações do laço social na era das plataformas digitais

As redes sociais revolucionaram a forma como pessoas se informam, se relacionam e participam da vida pública. Ao mesmo tempo, abriram espaço para novos desafios ligados à circulação de informações falsas, à radicalização de discursos e à formação de comunidades altamente polarizadas e, principalmente, o surgimento de influenciadores digitais. Esses fenômenos são analisados em profundidade no livro Ilusão Coletiva: Psicanálise, Massas Digitais e Ciberpopulismo” escrito pelo psicanalista Marcio Garrit e publicado pela Editora Pangeia.

Na obra, o autor defende que a digitalização da vida produziu uma nova configuração das massas. Diferentemente dos agrupamentos tradicionais, que dependiam da presença física e de estruturas organizacionais mais definidas, as massas digitais se formam rapidamente, conectam indivíduos dispersos geograficamente e operam com fronteiras muito mais fáceis de serem transpostas. "Em tempos de eleições, como os que vivemos atualmente, esse efeito pode ser ainda maior e mais destrutivo", alerta Marcio Garrit.

Livro Ilusão Coletiva: Psicanálise, Massas Digitais e Ciberpopulismo

O estudo que permeia o livro mostra que esse ambiente favorece processos de identificação coletiva baseados em emoções, crenças e símbolos compartilhados. A velocidade da comunicação reduz espaços para reflexão e amplia a circulação de conteúdos que apelam para sentimento tais como medo, indignação e pertencimento grupal. “As massas digitais não eliminam os mecanismos descritos por Freud há mais de um século. Elas ampliam seu alcance e aceleram sua capacidade de mobilização por meio de tecnologias que conectam milhões de pessoas em tempo real”, informa o especialista.

Entre os fenômenos analisados estão as fake news, os movimentos de cancelamento e a busca por lideranças que prometem respostas rápidas para questões complexas. Segundo Ilusão Coletiva: Psicanálise, Massas Digitais e Ciberpopulismo”, esses elementos revelam um enfraquecimento da construção do diálogo e da convivência democrática.

“A internet potencializa a ilusão de completude e pertencimento imediato. Quando essa promessa encontra sujeitos em situação de desamparo ou insegurança, surgem condições favoráveis para o fortalecimento do ciberpopulismo e para a disseminação de narrativas simplificadoras da realidade”, conclui o autor.

 

Sobre o autor:

Marcio Garrit é psicanalista, professor e pesquisador. Doutor em Psicologia Clínica pela PUC-Rio e mestre em Psicanálise, Saúde e Sociedade pela UVA/RJ, dedica-se aos impasses contemporâneos da clínica e do laço social, com ênfase nas relações entre psicanálise, cultura е digitalidades. É professor do CEFAS (Campinas/SP), o membro da Sociedade de Psicanalise Iracy Doyle (SPID/RJ) e criador do projeto Psi(em)CENA.

 

Serviço:

Livro: Ilusão Coletiva: Psicanálise, Massas Digitais e Ciberpopulismo

Autor: Marcio Garrit (@marciogarrit)

Editora: Pangeia

Disponível para compra através do link



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