ArPa Buenos Aires encerra primeira edição internacional com vendas, aquisições e conexões entre Brasil e Argentina
Realizada na histórica Casa Victoria Ocampo, feira reuniu mais de 4 mil visitantes, galerias da Argentina, Brasil e Estados Unidos, colecionadores e profissionais de diferentes países;
Programa Prisma trouxe curadores e colecionadores de São Paulo, Lima e Los Angeles, entre outros centros;
Dados inéditos coletados com agentes do setor apresentam percepções sobre o mercado de arte argentino

Foto: divulgação ArPa
Buenos Aires, setembro de 2026 – A ArPa encerrou,), sua primeira edição internacional com resultados que combinam vendas, aquisições institucionais, novos negócios e o fortalecimento das conexões entre os circuitos artísticos da Argentina e do Brasil. Realizada durante cinco dias na Casa Victoria Ocampo, em Palermo, a feira recebeu mais de 4 mil visitantes e reuniu galerias argentinas, brasileiras e norte-americanas em uma proposta que privilegiou projetos individuais ou de pequeno número de artistas e uma relação mais próxima com as obras.
A estreia internacional também consolidou a vocação da ArPa para promover intercâmbios dentro da América Latina. Além da participação de galerias de diferentes países, a programação recebeu curadores, colecionadores e profissionais do mercado vindos de diferentes lugares, entre eles São Paulo, Lima, no Peru, e Los Angeles, na Califórnia, por meio do Programa Prisma, criado para aproximar agentes do circuito internacional das galerias e artistas participantes.
“Desde que a ArPa nasceu, imaginamos uma feira com identidade latino-americana e vocação de crescer além das fronteiras. Escolher Buenos Aires para a estreia internacional reflete a relevância da cena artística e o potencial de intercâmbio entre a Argentina e o Brasil. Encerramos esta edição com a certeza de que esse vínculo tem substância e futuro”, afirma Camilla Barella, diretora-geral e fundadora da ArPa.
UMA FEIRA PARA VER AS OBRAS DE PERTO
A Casa Victoria Ocampo entregou o que a direção buscava: um espaço onde as obras pudessem ser vistas com calma, sem o ritmo acelerado dos grandes eventos. Cada galeria apresentou um ou dois artistas, com projetos inéditos, e os salões e o jardim da residência funcionaram como parte da proposta expositiva, não como cenário.
A escolha da Casa Victoria Ocampo como sede foi parte central do projeto da ArPa Buenos Aires. Monumento Histórico Nacional argentino, a residência foi preservada como espaço de memória e patrimônio arquitetônico, e a montagem da feira buscou estabelecer uma relação de respeito com sua arquitetura e com o legado cultural associado à escritora e intelectual Victoria Ocampo.
Foto: divulgação ArPa
Entre os projetos do Setor Principal, a COTT apresentou Verónica Gómez em solo que incluiu La niña Ocampo, obra que referencia diretamente a arquitetura da casa e sua escada emblemática. A Galería Hache dedicou sua participação a Santiago García Sáenz (1955–2006), a vinte anos de sua morte, com pinturas em que a tradição sacra se cruza com a experiência autobiográfica. A MAMAN Fine Art reuniu Guillermo Kuitca e Norberto Gómez (1941–2021), a Mendes Wood DM trouxe Leticia Ramos e a Isla Flotante + Cosmocosa apresentaram Pablo Accinelli ao lado de Luiz Roque, artista brasileiro que trabalha com vídeo.
A feira fortalece uma relação com a Argentina que se iniciou desde a fundação da feira. Mais de 20 artistas argentinos foram apresentados em São Paulo por oito galerias do país ao longo das duas últimas edições, e para Buenos Aires a feira firmou uma parceria com a Meridiano, plataforma argentina de fomento ao mercado de arte, que apoiou a participação das galerias locais.
VENDAS E NOVAS CONEXÕES COM COLECIONADORES
A circulação de colecionadores e profissionais do setor esteve entre os principais resultados da primeira edição. Ao longo dos cinco dias, as galerias relataram vendas e novos contatos com colecionadores argentinos e estrangeiros, além de oportunidades de aprofundamento de relações iniciadas em outras edições da ArPa.
“A primeira edição da ArPa em Buenos Aires teve um resultado muito positivo. A marca da ArPa esteve presente em cada aspecto da feira: na escala cuidadosamente planejada, na qualidade do espaço, na seleção de galerias e obras. No nosso caso, a participação também teve resultados muito bons em termos de vendas. Estou especialmente agradecida pelo convite”, afirma Natália Malamute, diretora da galeria La Mala.
Mesma impressão do diretor da galeria Isla Flotante, Leopol Jose Maria Mones Cazon, que participa da ArPa em São Paulo desde a sua primeira edição.
“A ArPa é uma feira atenta às necessidades dos galeristas e dos artistas, que os prioriza e atende de maneira especial, gerando uma experiência superpositiva em termos de bem-estar, dos riscos envolvidos e de vendas. A galeria Isla Flotante ficou muito satisfeita com a experiência e continuará participando”, compartilha.
TRÊS AQUISIÇÕES INSTITUCIONAIS NA PRIMEIRA EDIÇÃO

Obra adquirida pelo MACBA.
Foto: divulgação ArPa
A feira também marcou sua estreia com três aquisições para coleções de referência do circuito argentino. O Museu de Arte Contemporânea de Buenos Aires (MACBA) anunciou a incorporação de Miss Anginas (2024), tríptico em óleo sobre tela de Verónica Gómez, apresentada pela galeria COTT.
A aquisição inaugura a Colección Expandida, nova linha do museu voltada à produção contemporânea argentina, e vem acompanhada da confirmação de uma exposição antológica da artista no MACBA em 2027.

Obra adquirida pela Coleção Ama Amoedo.
Foto: divulgação ArPa
A Coleção Ama Amoedo incorporou Sin título (2023), óleo sobre tela de Déborah Pruden, adquirida na galeria PASTO. A obra amplia o núcleo de abstração feminina argentina da coleção, que já reúne trabalhos de Yente (1905–1990) e Germaine Derbecq (1899–1977).
Para completar, A Fundação Cervieri Monsuárez - instituição sem fins lucrativos, com sede em José Ignacio, Uruguai, dedicada à produção e difusão da arte contemporânea - adquiriu duas têmperas sobre lâmina de livro antigo de Alfredo Londaibere (Sem título, 2013).
Obra adquirida pela Fundação Cervieri Monsuárez
Foto: divulgação ArPa
“Tivemos interesse em incorporar por sua maneira particular de compreender a pintura e explorar seus limites por meio de diferentes técnicas e materialidades. Além disso, é um artista fundamental para compreender a cena da arte argentina das últimas décadas e uma referência para várias gerações de artistas”, relata Guadalupe Requena, diretora da Fundação Cervieri Monsuárez. “Para uma instituição como a FCM, sediada no Uruguai, adquirir obras em uma feira também significa apoiar a circulação e o reconhecimento de artistas e contribuir para o fortalecimento do ecossistema artístico regional”.
A presença de colecionadores e instituições nas feiras é parte intencional do modelo da ArPa. Em São Paulo, a feira articula desde 2025 a doação de obras à Pinacoteca do Estado junto a organizações culturais – na edição de maio deste ano, a doação foi realizada pelo Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e a obra foi de Noara Quintana, da Galeria Mazzucchelli Cardoso. Em 2025, a obra Torso, de Tatiana Challhoub, havia sido doada à Pinacoteca via MOS Incorporadora. A edição de Buenos Aires estende essa vocação ao contexto argentino, com as próprias instituições tomando a iniciativa.
PESQUISA DE MERCADO APONTA TENDÊNCIAS
Assim como na edição de São Paulo, a ArPa realizou uma pesquisa de mercado com galeristas, colecionistas e outros importantes atores do circuitos das artes.
Entre os principais destaques, foi possível averiguar que o contexto econômico da Argentina pesa na percepção de quem atua no setor: 70% dos respondentes indicam que ele influencia negativamente a atividade do circuito de arte contemporâneo – de forma decisiva para 40% e moderada para outros 30%. Ainda assim, a leitura sobre o colecionismo e os vínculos regionais aponta em outra direção. Entre os respondentes, 46% avaliam o mercado como estável e 28% o veem em expansão.
Entre os perfis de compradores percebidos como mais ativos nos últimos meses, os novos colecionadores aparecem em primeiro lugar, citados por 43% dos respondentes, à frente dos colecionadores tradicionais, mencionados por 39%. Ampliar e fidelizar essa base nova é apontado como o principal desafio do mercado por 41% de quem respondeu.

Foto: divulgação ArPa
O olhar para fora é consistente entre quem respondeu. Mais da metade (54%) percebe o interesse pelo trabalho de artistas latino-americanos em crescimento, e 86% consideram que Argentina e Brasil estão bem ou parcialmente bem posicionados no circuito internacional. A expectativa para o segundo semestre aponta na mesma direção: 47% dos respondentes projetam leve crescimento ou expansão significativa para o mercado da região até o fim do ano.
Os canais digitais são percebidos em expansão por 79% dos respondentes, embora boa parte aponte que os resultados ainda ficam aquém do potencial.
A sondagem também mapeou gostos e linguagens. A pintura é o suporte mais procurado com larga vantagem, mencionada por 80% dos respondentes, e a afinidade estética ou pessoal com a obra é o fator decisivo na hora da compra para 79% – à frente do preço e da trajetória do artista. Entre as narrativas que mais despertam interesse, artistas emergentes com linguagens experimentais e questões de identidade – gênero, raça, pertencimento – aparecem empatados, com 33% cada, seguidos de perto por poéticas da natureza e do meio ambiente, com 30%.
“Buenos Aires tem uma cena viva e um público que acompanha de perto o que se produz na região. Essa sondagem nos permite entender esse circuito por dentro e construir uma relação mais sólida com ele”, diz Flavia Masetto, diretora da ArPa Buenos Aires.
Foram coletadas 94 respostas de agentes do setor até terça-feira (22/09).
Sobre a ArPa
Fundada em 2022 por Camilla Barella, a ArPa completou em 2026 sua 5ª edição consolidada como uma das principais referências do circuito de arte contemporânea da América Latina. Opera com um modelo curado por setores, galerias selecionadas por convite e projetos inéditos como critério de participação. Reúne colecionadores, representantes de acervos institucionais, curadores, artistas, galeristas, consultores de arte, estudantes e público em geral numa expografia que favorece a integração entre visitantes e galerias. A ArPa São Paulo realiza-se anualmente na Mercado Livre Arena Pacaembu, e os preparativos para a 6ª edição, em 2027, já estão em curso. Em 2026, ArPa realizou sua primeira expansão internacional com a ArPa Buenos Aires.
Mais informações: arpa.art | Instagram: @arpa__art
ArPa Buenos Aires
Local: Casa Victoria Ocampo, Palermo, Buenos Aires
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