Para o Instituto Ampara Animal, responsável pela campanha Animal Safety, esse também é o momento de ampliar a discussão sobre a exploração da crueldade contra animais nas redes sociais e plataformas digitais. A organização alerta que vídeos de maus-tratos, tortura, abuso e mortes de animais continuam sendo compartilhados, monetizados e utilizados para gerar engajamento, enquanto permanecem disponíveis por tempo suficiente para alcançar milhares — e, muitas vezes, milhões — de visualizações.
Lançada para mobilizar a sociedade e pressionar plataformas e autoridades por medidas mais efetivas, a campanha Animal Safety defende que conteúdos que promovam ou estimulem a violência contra animais recebam o mesmo tratamento prioritário destinado a outros crimes praticados no ambiente digital.
Segundo o Instituto Ampara Animal, a lógica dos algoritmos acaba premiando conteúdos cada vez mais extremos, transformando a crueldade em entretenimento e incentivando novos casos de violência.
"O ambiente digital não pode continuar funcionando como um espaço onde a violência contra animais gera audiência, seguidores e lucro. Quando uma plataforma demora para agir, ela permite que o conteúdo continue circulando e multiplicando vítimas. A tecnologia precisa ser parte da solução, e não do problema", afirma Juliana Camargo, presidente do Instituto Ampara Animal.
A discussão ganhou força após Janja defender medidas mais rígidas contra o Discord, plataforma que vem sendo alvo de investigações relacionadas à circulação de conteúdos criminosos. Entre eles estão transmissões envolvendo violência extrema, automutilação e maus-tratos contra animais.
De acordo com a delegada Lisandrea Salvariego, responsável pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD) da Polícia Civil de São Paulo, o enfrentamento desse tipo de crime depende de uma atuação conjunta entre autoridades e plataformas digitais.
"É necessária uma união de todos os setores envolvidos para que a gente consiga combater esse tipo de crime", destacou a delegada ao comentar as investigações conduzidas pelo núcleo.
A delegada, destaca que a crueldade contra animais não deve ser tratada como um delito isolado. "Diversos estudos e a minha experiência investigativa demonstram que a violência contra animais está associada a outros comportamentos violentos. Identificar e interromper esses casos precocemente também é uma forma de prevenir a escalada da violência contra pessoas."
Para o Instituto Ampara Animal, esse entendimento também deve contemplar os crimes cometidos contra animais, que frequentemente aparecem associados a comunidades digitais que estimulam comportamentos violentos e utilizam a crueldade como forma de entretenimento ou obtenção de notoriedade.
A campanha Animal Safety reúne especialistas, organizações da sociedade civil e apoiadores em defesa de políticas públicas mais eficazes, maior responsabilização das plataformas digitais e mecanismos de remoção rápida de conteúdos que incentivem ou exibam violência contra animais.
A iniciativa também busca conscientizar a população de que compartilhar esse tipo de material, mesmo com a intenção de denunciar, pode ampliar seu alcance. A recomendação é utilizar os canais oficiais de denúncia e evitar impulsionar a circulação dessas imagens.
Conheça a campanha Animal Safety e assine a petição:
www.animalsafety.org
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