sábado, 25 de julho de 2026

Literatura Atual

 




São Paulo festeja o Dia do Escritor




Museu Monteiro Lobato, o verdadeiro Sitio do Pica-pau Amarelo, em Taubaté

(foto: Aniello de Vita / Setur-SP)


No Dia Nacional do Escritor, a Setur-SP seleciona momentos da Literatura em que destinos turísticos de São Paulo foram povoados por personagens e poesia


Neste sábado (25), as letras e os livros brasileiros estão em festa. Comemora-se em todo o País o Dia Nacional do Escritor, em homenagem aos artistas da palavra que norteiam a nossa cultura desde os tempos coloniais. Brasil afora, são realizados eventos que buscam valorizar os autores da nossa Literatura, incentivando a leitura de suas obras, romances, compilações de poesia, crônicas, contos, biografias. Quando o assunto é Brasil, os cenários da vida real, vistos por seus escritores, ganham cores e contornos em forma de palavras. São cenários de todo um povo.


Quando o assunto é São Paulo, estado e capital, escritos à pena, caneta, máquina de escrever ou teclado, a Literatura feita por escritores das terras bandeirantes delineia lugares icônicos e destinos turísticos que também viraram palavras. A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) folheia páginas da nossa literatura e traz à lembrança cinco autores, homens e mulheres que falaram de sua terra e sua gente, que descreveram em metáforas e rimas a aventura do povo paulista, dos relatos antigos aos sites da internet.


Mário de Andrade (1893 – 1945)


O paulistano Mário de Andrade foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, ao lado de Oswald de Andrade, de Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, do poeta Raul Bopp e de Villa-Lobos. Em “Pauliceia Desvairada”, que Mário escreveu entre dezembro de 1920 e dezembro de 1921, poemas e prosas poéticas retratam atrações da metrópole paulista, como o Theatro Municipal, um dos principais pontos da região do Anhangabaú, no centro da capital. Do outro lado do Vale, o passeio no Triângulo SP conduz turistas pelo Centro Histórico da cidade, aos fins de semana. Como o próprio Mário escreve na Paulicéia: “Oh! Este orgulho máximo de ser paulistamente!!!”.


Monteiro Lobato (1882 – 1948)


Nascido em Taubaté, Monteiro Lobato criou o Jeca Tatu e as histórias com os personagens do “Sítio do Pica-pau Amarelo” (a boneca Emília, o Visconde de Sabugosa, a Tia Benta, Narizinho, Pedrinho e a Tia Nastácia). Viveu até os 16 anos na fazenda do avô, num casarão do século XIX que inspirou as histórias do “Sítio”, hoje o Museu Monteiro Lobato, em Taubaté (a 142 km da capital), cuja visitação ocorre de terça a domingo. O escritor também foi editor, tradutor e ativista da presença do livro na vida brasileira. Seus livros adultos “Urupês” e “Cidades Mortas” fazem alusão à decadência das cidades do Vale do Paraíba. Monteiro Lobato dizia que "livro é sobremesa: tem que ser posto debaixo do nariz do freguês".


Maria José Dupré (1898 - 1984)


A autora de “Éramos Seis”, Maria José Dupré, nasceu no Paraná, mas seus pais se mudaram para Botucatu, no interior paulista, quando ela era criança. Após seu casamento, mudou-se para a capital, onde sua produção literária ganhou vulto. “Éramos Seis” foi publicado em 1943, com prefácio de Monteiro Lobato e foi o maior sucesso da escritora, em história que cobre três décadas da família Lemos, em São Paulo, focando nos dramas e sacrifícios da matriarca Dona Lola. A personagem retorna para Itapetininga, sua cidade natal, onde busca refúgio após as suas perdas. A Revolução de 1932 é um dos momentos retratados na trama do livro.


Hernâni Donato (1922- 2012)


Hernâni Donato nasceu em Botucatu (a 235 km de São Paulo). Foi tradutor (de clássicos como “A Divina Comédia”, de Dante), fez roteiros para o cinema (“O Caçador de Esmeraldas” e “Chão Bruto”, este baseado em seu livro) e para a TV, foi biógrafo (escreveu sobre Cervantes, José de Alencar, Casimiro de Abreu e Vicente de Carvalho), trabalhou nas editoras Abril e Melhoramentos. Detalhou Botucatu em seu clássico “Achegas para a História de Botucatu”, sobre a formação do município. A Cuesta, em Botucatu, é uma das mais belas paisagens do interior paulista, com mirantes, quedas d’água, vales, rios e picos como a Pedra do Índio e as Três Pedras.


Paulo Setúbal (1893 - 1937)


 “O Príncipe de Nassau” e “A Marquesa de Santos” são alguns dos livros de Paulo Setúbal, nascido em Tatuí, na região de Sorocaba. Em sua estreia, no livro de poesias “Alma Cabocla”, de 1920, ele dedica um capítulo inteiro à cidade natal, descrevendo a vida caipira do interior. Em 1937, lança “Confiteor”, onde eternizou personagens, ruas e histórias reais de Tatuí (a 131 km da capital), conhecida como a “Capital da Música” (o Conservatório de Tatuí é um dos maiores centros de formação musical latino-americanos). Já a história de Tatuí é contemplada no Museu Histórico Paulo Setúbal, na região central, aberto de terça a domingo.


Dia Nacional do Escritor

 

“Quando escrevo, não penso na literatura: penso em capturar coisas vivas.”

(João Guimarães Rosa)

 

A data de 25 de julho foi escolhida em 1960 para comemorar o Dia Nacional do Escritor pelo então presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), João Peregrino Júnior e seu vice-presidente, o escritor baiano Jorge Amado, logo depois do I Festival do Escritor Brasileiro. Neste dia, que celebra a importância dos profissionais das letras, são realizadas solenidades e eventos em escolas, bibliotecas, órgãos públicos e academias para incentivar a leitura da Literatura Brasileira, bem comemorar a vida e a obra de escritores brasileiros, uma vez que nomes como Machado de Assis e Clarice Lispector são reconhecidos no Exterior.

 

 

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