Sergio Camargo chega a Brasília com obras que ecoam os cortes e ritmos da arquitetura modernista.
A mostra reúne obras que investigam ritmo, intervalo e volume, reafirmando a poética geométrica que conduz sua reflexão sobre matéria, espaço e luminosidade.

A Galeria Raquel Arnaud em parceria com o Metrópoles apresenta, em 10 de Dezembro, a mostra “É pau, é pedra…”, dedicada ao artista Sergio Camargo, um dos nomes fundamentais da arte contemporânea brasileira. Com curadoria de Marcello Dantas, a exposição reúne um conjunto de obras que evidenciam a linguagem singular desenvolvida por Camargo ao longo de sua trajetória, marcada por rigor formal, economia da forma e uma relação profunda com a luz.
A mostra propõe um percurso através de relevos, estruturas cilíndricas e composições que sintetizam a pesquisa do artista sobre a incidência, sombra e vazio. Seus trabalhos não descrevem objetos, mas acontecimentos luminosos, modos como a luz toca, o vazio pesa e a matéria se organiza em constelações. “O artista plástico pensa pelos olhos… tudo se revela através da obra”, afirmou Sérgio Camargo, sintetizando a centralidade da visão em seu processo criativo.
Na exposição “É pau, é pedra…”, os relevos e blocos cilíndricos operam como um vocabulário essencial. O cilindro, forma que Camargo transforma em fonema, estabelece um alfabeto mínimo para todas as possibilidades da luz. Entre superfícies contínuas e intervalos precisos, a obra organiza ritmos que se articulam entre ordem e organicidade, reafirmando uma ética da clareza que marca sua produção.
A exposição destaca ainda a afinidade do artista com o espírito modernista de Brasília, cujas estruturas geométricas tiveram impacto direto em sua poética. Assim como Niemeyer, Lúcio Costa e Athos Bulcão articularam uma arquitetura luminosa para a capital, Camargo desenvolve, em seus relevos, uma arquitetura da visão, fundada na relação entre forma essencial e incidência luminosa. Trata-se de um encontro entre arquiteturas: a do espaço urbano e a do olhar.
Embora a mostra enfatize esse conjunto de obras, ela reinsere o artista em uma tradição mais ampla, que remonta à linhagem geométrica e cinética latino-americana, marcada pela persistência de padrões, tessituras e cortes que atravessaram séculos para ressoar no modernismo e nas investigações contemporâneas. É nesse contexto que Camargo constrói um pensamento escultórico próprio, cuja precisão e sobriedade fazem do mínimo o máximo.
Camargo pertence à geração que acreditou radicalmente no futuro brasileiro, quando artes visuais, arquitetura, música e literatura constituíram um campo criativo singular. Sua obra, para além da beleza dos relevos e volumes, institui uma pedagogia do olhar: aprender a ver o essencial, o rigor do corte, a inteligência da mão, a sutileza da luz. “É pau, é pedra…” reativa a relevância do artista no presente ao lembrar que, em um tempo saturado de imagens, menos não é ausência, é precisão.
Ao final do percurso, a exposição convida o visitante a reencontrar a matéria como origem: um estado em que forma, luz e tempo se entrelaçam em silêncio.
Serviço:
“É pau, é pedra…”, de Sérgio Camargo
Foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro, SCTS - Brasília - DF
Abertura: 10 de dezembro
Exposição: 11 de dezembro à 06 de março de 2026
Segunda à sexta, das 10h às 20h
Sábado e domingo, das 10h às 18h
Aberto ao público
Sobre Raquel Arnaud
Fundada em 1973, a Galeria Raquel Arnaud é referência no cenário da arte contemporânea brasileira e internacional. Com foco em arte construtiva, cinética e contemporânea, a galeria destaca-se por promover artistas cuja produção explora a relação entre espaço, forma e luz. Localizada em São Paulo, tornou-se um espaço de vanguarda no cenário das artes, além de fomentar a reflexão sobre questões estéticas e conceituais. Sob a liderança visionária de Raquel Arnaud, a galeria consolidou seu papel como um dos principais pontos de encontro para colecionadores, críticos e amantes da arte. Atualmente, sob direção de Raquel Arnaud e Myra Arnaud Babenco, o espaço entra em um novo momento, estando sempre em conexão com o mercado e com a arte contemporânea.
www.raquelarnaud.com
Sobre Sergio Camargo
Sergio Camargo é um dos artistas centrais da arte contemporânea brasileira, reconhecido por desenvolver uma linguagem escultórica singular baseada na economia da forma, na incidência da luz e no rigor do corte. Sua produção inclui relevos, esculturas e composições tridimensionais que investigam a relação entre volume, ritmo e vazio, articulando superfícies precisas e constelações cilíndricas que se tornaram marca de seu vocabulário geométrico. Atuou de maneira decisiva na consolidação de uma geração que acreditou no projeto modernista brasileiro, dialogando de forma exemplar com a arquitetura de Brasília e com a tradição construtiva latino-americana. Participou de mostras importantes no Brasil e no exterior, incluindo exposições em instituições como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Fundação Serralves (Portugal), Jeu de Paume (Paris), MoMA (Nova York) e Tate Modern (Londres), entre outras. Sua obra integra coleções públicas e privadas de relevância internacional, reafirmando seu lugar como um dos nomes mais influentes na investigação escultórica do século XX no país.
Fonte INDEX | The Culture Agency

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