A escala é parte fundamental da experiência: algumas pinturas atingem quase três metros de altura e trazem enormes massas de tinta, impondo-se como portais no espaço expositivo. Já outras, menores, convidam o espectador a se aproximar para descobrir a densidade da superfície, e as marcas e sutilezas que só se revelam de perto.
A mostra reafirma a posição singular de Andrade no panorama da arte brasileira. Ao longo de mais de quatro décadas, a prática do artista mantém-se em permanente renovação, sem jamais abandonar, entretanto, seus principais fundamentos e o compromisso com a investigação da natureza e do estatuto histórico da pintura, bem como de suas possibilidades como ferramenta contemporânea.
Sobre Rodrigo Andrade
A obra de Rodrigo Andrade (1962, São Paulo) é marcada pela investigação profunda e pela livre experimentação com a pintura — em sua dimensão material, visual e histórica. O artista desenvolve uma reflexão contínua sobre seus fundamentos e possibilidades, explorando as relações entre matéria e expressão, gesto e repetição, imagem e sensação.
Em sua prática, a superfície pictórica torna-se campo de permanente tensão, em que camadas espessas de tinta se adensam ou se dissolvem, configurando paisagens, espaços, objetos e grafismos em constante movimento. Suas composições, intensas e carregadas, refletem a pulsão e o caráter mutável da vida, assim como seu corpo de trabalho é um testemunho da vitalidade e da elasticidade da pintura contemporânea, incorporando múltiplas referências, técnicas e temas. Entre o rigor conceitual e a manifestação intuitiva, entre a fisicalidade e a iconografia, sua obra busca sempre propor um olhar renovado sobre a história da pintura e sobre sua capacidade de pensar, representar e transformar as dinâmicas do mundo.
O início da trajetória de Rodrigo Andrade se entrelaça à retomada da pintura no Brasil nos anos 1980. Com outros jovens artistas, amigos de escola, formou o notório ateliê Casa 7, que consolidou-se como um grupo e ganhou projeção com mostras em importantes instituições.
Entre suas exposições individuais mais recentes estão: Pintura Paisagem, Millan e Almeida & Dale, São Paulo (2022); Rodrigo Andrade – Pintura e Matéria, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre (2022); Rodrigo Andrade – Pintura e Matéria, Museu Oscar Niemeyer – MON, Curitiba (2022); Criaturas Ornamentales, Galería Hilario Galguera, Cidade do México (2021); Pinturas da era do absurdo, Millan, São Paulo (2020); Pintura e Matéria (1983-2014), Estação Pinacoteca, São Paulo (2017); Pinturas de estrada, Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo (2013); Óleo sobre — intervenção no acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo (2010); Pinturas: seleção 99-06, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte (2006); Projeto Parede, Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM São Paulo (2000).
Andrade participou de inúmeras exposições coletivas, como: 18ᵃ Bienal de São Paulo (1985); Casa 7, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC USP (1985); 2ᵃ Bienal de La Habana, Havana, Cuba (1986); BR 80 Pintura Brasil, Itaú Galeria, São Paulo (1991); Brasil – La Nueva Generación, Museo de Bellas Artes de Caracas, Venezuela (1991); Viva Brasil Viva, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, Suécia (1991); 24º Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (1995); Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, Centro Cultural São Paulo (1998); 29º Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2005); 80/90 Modernos, Pós-modernos, Etc., Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2007); 29ª Bienal de São Paulo (2010); Lugar Nenhum, Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro (2013); 30 x Bienal, Fundação Bienal de São Paulo (2013); O Espírito de cada Época, Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (2015); Deserto-Modelo “as above so below”, Harold St., Londres, Inglaterra (2015); Troposphere, Beijing Minsheng Art Museum (2017); Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, OCA, São Paulo (2017); 1981/2021: Arte Contemporânea brasileira na Coleção Andrea e José Olympio Pereira, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2021).
Suas obras integram coleções de instituições como o MAM São Paulo; Pinacoteca de São Paulo; MAC Niterói; MAC USP; Museu de Arte da Pampulha; e Instituto Itaú Cultural.
Sobre Almeida & Dale
Fundada em São Paulo, em 1998, a Almeida & Dale promove o legado de artistas emblemáticos e emergentes, ao impulsionar a produção contemporânea nos cenários nacional e internacional. Com três endereços em São Paulo, a galeria realiza um programa expositivo e editorial de excelência, estabelece parcerias com instituições e coleções de renome e está presente nas principais feiras de arte mundiais, o que a posiciona como uma das mais influentes galerias brasileiras.
Representando mais de 50 artistas e espólios, reúne nomes fundamentais dos modernismos brasileiros, figuras-chave para a formação da arte contemporânea e a sua projeção internacional, além de artistas em plena atuação que continuam a redefinir o horizonte artístico. Em 2025, ao finalizar sua fusão com a prestigiada galeria Millan, estabelecida em 1986, também em São Paulo, a Almeida & Dale abraça um histórico de comprometimento profundo com o experimentalismo artístico, de colaboração estreita com artistas para os posicionar nas principais exposições e instituições do mundo e de impulsionamento internacional de carreiras.
De maneira ativa, a galeria assume o desafio de difundir múltiplas perspectivas e novas aproximações, centrada em ser uma plataforma para os artistas em projetos potentes. Ao unir expertise artística e um olhar estratégico para as dinâmicas globais do setor, a galeria fomenta a expansão e a capilarização da arte latino-americana por meio de uma atuação que segue amplificando e impulsionando o mercado globalmente. A Almeida & Dale é liderada pelos sócios-executivos Antonio Almeida, Carlos Dale, Hena Lee e João Marcelo de Andrade Lima.
Serviço
Rodrigo Andrade: Sala dos espelhos
Curadoria de Germano Dushá
17 de maio a 20 de junho de 2026
Rua Fradique Coutinho, 1360
Segunda a sexta-feira: 10h às 19h
Sábado: 11h às 16h
Entrada gratuita
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