sábado, 11 de abril de 2026

Maio de 2026.

 

Dia das Mães

“O Filho Perdido” expõe os limites do amor materno em uma história real e perturbadora.

Irene Vucovix

Livro transforma dor extrema em um relato contundente de uma mãe, cujo único filho é diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial, potencializado pelo uso de drogas, que resulta em tragédia

Laine Oliveira

‘O Filho Perdido’, estreia literária da jornalista Irene Vucovix, apresenta um relato real, cru e profundamente inquietante: a experiência de uma mãe diante da perda gradual — emocional, psicológica e, por fim, física — do próprio filho.


Mais do que narrar uma tragédia, o livro a faz pulsar diante do leitor, linha a linha, até o limite do suportável.


Com 240 páginas e publicado pela Geração Editorial, a obra combina leitura fluida — capítulos curtos e ritmo ágil — com um conteúdo denso e impactante. Ao longo da narrativa, Irene expõe, com coragem, a trajetória de uma mãe que acompanha a deterioração do filho, envolvido em uma espiral de drogas, violência e ilegalidade, até sua morte, em 2017, aos 39 anos. O resultado é um testemunho direto sobre amor, impotência e os limites extremos da maternidade.


Narrado em primeira pessoa, como um diálogo tardio com quem já não pode responder, o livro revela a convivência com um filho diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial e sua escalada de comportamentos destrutivos. Prisões, episódios de violência, estelionato, furtos e rupturas sucessivas compõem o cotidiano de quem assiste, sem conseguir impedir, à desintegração de alguém que ama profundamente. Em contraponto, a autora reconstrói a memória de uma infância marcada por afeto e cercado por avós, tios, primos maternos — um contraste que intensifica ainda mais a força do relato.


“Meu filho era um jovem de personalidade violenta, sem empatia, sem afetividade, desrespeitoso e egoísta. Enfrentei grandes problemas a partir da pré-adolescência, quando ele tinha cerca de 13 anos e a droga apareceu. Já não havia como esconder que algo estava profundamente errado”, afirma Irene. “Apesar das várias internações e tratamentos, nada se resolveu.”


Uma escrita nascida do impacto emocional - A escrita começou em 2019, dois anos após a morte do filho, a partir de um impulso inesperado provocado pela leitura de um conto de Franz Kafka. O que seria um texto breve se transformou, ao longo dos anos, em um processo intenso e fragmentado — descrito pela autora como “um arrombamento emocional”.


Concluído em 2024, o manuscrito permaneceu guardado por mais de um ano até que Irene decidisse torná-lo público. “Não foi fácil escrever. Foi sofrido, arrastado: avançava, parava, recomeçava. Quase como se desnudar em praça pública”, relata.


Sem concessões ou romantizações, ‘O Filho Perdido’ rompe com a ideia idealizada da maternidade e apresenta uma figura rara na literatura: a mãe que ama profundamente, mas que também é levada a tomar decisões difíceis e duras na tentativa de salvar o filho. “Tinha esperança de que ele pudesse levar uma vida digna e feliz. Não consegui. E meu filho escreveu o final da nossa história. Eu o vi, enfim. Morto. No caixão”, diz.


Ao longo da narrativa, um segredo aterrador atravessa a obra e só se revela ao final, conferindo ao livro uma dimensão ainda mais inquietante e inesquecível. Mais do que reconstruir uma história pessoal, “O Filho Perdido” dialoga com uma realidade silenciosa e compartilhada por inúmeras famílias. Dependência química, violência, culpa, vergonha e solidão emergem como temas centrais — compondo um retrato íntimo de um drama social frequentemente ocultado.


Entre consultas, terapias, internações e crises imprevisíveis, a autora expõe uma realidade vivida por muitas famílias, mas raramente compartilhada. Em um dos trechos, relata: “Passei a dormir com a porta do quarto trancada à chave e uma cadeira inclinada prendendo a maçaneta”.


Desde o lançamento, em novembro de 2025, Irene tem recebido mensagens de apoio e solidariedade de leitores com perfis muito diversos. “Há muitas mães que enfrentam ou já enfrentaram situações semelhantes. Que elas saibam que não estão sozinhas: formamos um pequeno exército de corações despedaçados, que nunca deixaram de amar seus filhos”, afirma. “Nunca fui tão abraçada, nos sentidos literal e figurado.”


Escrito como um gesto de memória e resistência, o livro busca preservar a existência do filho para além de seus erros. “Meu filho foi muito mais do que o fim que teve. Ele foi amado, teve uma história. E eu precisava contar isso.”


No posfácio, o escritor e filósofo Rodrigo Petronio (autor de mais de 20 livros) define a obra como “uma dinamite pura”, destacando a força e a singularidade do relato. Em outro trecho, afirma que a brutalidade dos fatos apresentados “não encontra paralelo em quase nenhum autor ou obra”.


A jornalista paulistana Irene Vucovix (Crédito: Divulgação)

Irene Vucovix - Paulistana, teve sempre uma relação prazerosa e cúmplice com as palavras. Jornalista formada na Universidade de São Paulo, nos duros e difíceis anos 70, trabalhou na área durante toda a vida profissional. Ainda na faculdade, foi repórter da editora Abril. Depois, durante toda a década de 80, foi repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo; por mais de 20 anos, dirigiu, com a também jornalista Célia Romano, uma agência de comunicação, que chegou a figurar entre as maiores do mercado. Em 2023, seu conto “Retalhos” ficou entre os três selecionados do Prêmio Arte e Literatura USP60+. Em 2024, o conto “Senhora dos Solitários” foi um dos 10 escolhidos pela editora Sinete para a antologia “Quem, onde e adeus”. “O Filho Perdido” é seu primeiro romance.


Serviço:

Título: O Filho Perdido

Autora: Irene Vucovix (@ivucovix)

Gênero: Não ficção / Memórias

Editora: Geração Editorial

Preço de capa: a partir de R$ 53,49

Disponível em livrarias físicas e plataformas digitais: Livraria da Vila, Livraria da Travessa, Amazon, Estante Virtual e Martins Fontes, além de versão e-book Kindle.


Sinopse - A tragédia da relação de uma mãe com seu único filho diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial na adolescência até a morte prematura, é retratada em ‘O Filho Perdido’, junto ao drama e à dor. O leitor acompanha página por página o desespero da mãe que tenta a todo custo salvar aquele que ama, enquanto guarda um segredo que será revelado no final.


Trecho do livro e depoimentos de quem já leu


Trecho do livro, em uma conversa de Irene com a terapeuta (Pág. 113):

“Falou que você era de um egocentrismo extremo, não demonstrava arrependimento, empatia ou afetividade, e tinha evidentes traços de psicopatia. A cada frase dela eu me sentia como aquelas mulheres de circo que atuam como alvo para o arremesso de facas: o público suspende a respiração a cada novo lançamento, mas a mulher sai sempre incólume. Eu, não. As facas me atravessavam, uma após outra, e, sentada diante da terapeuta, eu me sentia morrer um pouco ouvindo aquele diagnóstico que não deixava margem para a esperança”.

 

Alguns depoimentos:

“Uma tarde, a de hoje. Foi o tempo que levou ler seu livro. Tinha compromissos, coisas a fazer. Larguei tudo. De uma coragem que nunca vi, não tenho como expressar o estado em que estou. Fascinada, dolorida, chocada, agradecida...Não sei o que dizer. Qualquer coisa será amadora demais frente ao que li.” – Edna Uip, advogada e escritora, autora de “Espelhos Quebrados”. 

 

“Acabo de ler seu livro. Devorei-o como o fiz com outros bons livros que li. É triste, cruel, dolorido, tudo isso envolto no sofrimento da mãe e da família. (...) Enfim, um bom livro, uma boa narrativa e uma história comovente sobre uma alma que amou um filho perdido. Você nunca o abandonou, Irene. Você apenas se protegeu do que ele se tornou.” – Paulo Andreoli, jornalista e CEO da AND.ALL.

 

“Não me lembro quando foi a última vez que li um livro em três dias em meio a tantas coisas a fazer. Não dava vontade de parar. Como obra literária é realmente eletrizante. De arrepiar. Prende o leitor do início ao fim, torcendo por uma reviravolta impossível, pois logo no início a perda é revelada. Quanto aos fatos, torci para que ao final você declarasse ‘esta é uma obra de ficção’.” – Laerte Temple, administrador, professor universitário, escritor, autor de “Humor na quarentena”.

 

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