segunda-feira, 16 de março de 2026

 Menopausa: um convite para reconexão, empoderamento e prazer

*Por Dra. Andréa Rufino







A menopausa é um dos marcos biológicos do envelhecimento. Ela chega estrategicamente na meia-idade, momento final da função reprodutiva, podendo se instalar com perda de vitalidade, de libido e de qualidade de vida. Entre fogachos, tabus e etarismo, muitas mulheres sofrem em silêncio ao se sentirem em um cenário de terra devastada. Mas será que este período hormonal reduz as mulheres apenas a um corpo biológico sem finalidade reprodutiva?

O fato é que os ovários perdem a capacidade de produzir não apenas óvulos, mas os hormônios sexuais. O marco temporal da menopausa é a parada definitiva das menstruações. Cerca de 7 a 14 anos antes da menopausa, as flutuações hormonais da perimenopausa já mudam o humor, a cognição, a sexualidade e a maneira como as mulheres se reconhecem no próprio corpo. Para muitas delas, a percepção é de perda de identidade e de um corpo que está fora de controle.  

A diminuição do estrogênio é a responsável pelo cortejo de sintomas. Alguns deles são precoces e podem desaparecer em alguns anos, como os calores intensos, a névoa mental, as mudanças de humor e de sono. O ressecamento vaginal e as queixas sexuais aparecem mais adiante. A longo prazo, podem surgir as doenças cardiovasculares e a osteoporose. Em meio a tantas transformações corporais, é improvável que as mulheres passem ilesas pela menopausa.

Essas mudanças em curso impactam as emoções e o olhar para a vida. Observar o envelhecimento biológico pode provocar desconfortos relacionados à autoimagem e ser um gatilho para muitas questões: uma delas é perceber os estereótipos e as crenças negativas associadas ao envelhecimento; acreditar que a passagem do tempo traz invariavelmente perdas e incapacidades afeta de forma negativa a saúde física e emocional. Outra questão sensível são as reflexões existenciais pela perspectiva da finitude.

No entanto, este cenário que parece tão desolador, pode ser um convite para acolher as emoções, repensar hábitos e as crenças pessoais sobre o envelhecimento. É a menopausa funcionando como um momento sentinela na vida das mulheres. Aquele espaço temporal para olhar para si mesma para além dos papéis aprendidos a desempenhar na vida. É um rito de passagem para um tempo de maior autocuidado e gentileza consigo, apesar dos desafios.

A boa nova é que há muitos recursos disponíveis para fazer a travessia pela menopausa com mais conforto, conhecer todas essas transformações em curso proporciona mais sabedoria sobre riscos para adoecer e como adotar um estilo de vida saudável. Alimentação adequada, prática de atividade física, técnicas de gerenciamento de estresse, psicoterapia e terapia hormonal para a menopausa são algumas estratégias seguras.

Se conectar-se consigo na meia-idade permite a cada mulher reconhecer sua história de vida, redefinir suas prioridades e implementar as mudanças de rota necessárias. Acredite, é tempo de passar a vida a limpo para viver com mais liberdade, autonomia e autoestima. É momento de pausar a fim de nutrir uma reconexão íntima, ter mais empoderamento e prazer.

*Dra. Andréa Rufino é ginecologista, sexóloga, Doutora em Ciências e autora do livro “Menopausa, muito prazer”.

 



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