terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pauta.

 

Revista italiana revisita o indie rock brasileiro dos anos 90

Matéria assinada por Giove Pereira destaca bandas, selos e a circulação independente que marcou os anos 1990

 

Pin Ups - show Curitiba 1998, com Swamps e Whir (web).jpg


 

A revista italiana PolvereMag publicou o artigo “Stanchi di essere brasiliani: il rock alternativo degli anni ’90” (“Cansados de ser brasileiros: o rock alternativo dos anos 90”, em tradução literal), de autoria de Giove Pereira, que revisita um capítulo fundamental (e muitas vezes negligenciado) da música brasileira: a cena alternativa dos anos 1990.

 

O texto propõe uma leitura histórica e crítica do rock independente brasileiro daquela década, destacando como diversas bandas estruturaram uma rede criativa à margem do mainstream.

Movidas por um espírito DIY, essas formações articulavam circulação por meio de fanzines, fitas demo, CDs independentes e uma intensa conexão entre cidades, criando um circuito próprio de produção e difusão.

 

Entre as bandas citadas estão Pin Ups, Low Dream, brincando de deus, Wry, além das curitibanas UV Ray, Whir e Swamps, evidenciando a força de Curitiba como um dos polos mais férteis do período. O artigo também menciona o pesquisador Manoel J. de Souza Neto (fundador da rede Musin e do acervo que deu origem à Fonoteca da Música Paranaense), reforçando que essa geração não está ligada apenas à memória afetiva, mas também vem sendo objeto de estudo e reflexão acadêmica.

 

Outro ponto central é o papel das estruturas independentes que sustentaram o movimento, como o selo Midsummer Madness, de Rodrigo Lariú, fundamental na divulgação de bandas brasileiras dentro e fora do país. O texto recorda ainda lançamentos dos CDs “Guitar” (Mais Records) e “Don’t Be Afraid My Son…” (independente), inseridos nesse contexto de produção alternativa que ajudou a consolidar a identidade dessa geração, entre as primeiras coletâneas em CD dedicadas ao gênero no Brasil.

 

O título irônico “Cansados de ser brasileiros” funciona como provocação. Ele aponta para uma geração que dialogava intensamente com o indie rock internacional, ao mesmo tempo em que enfrentava as limitações e marginalizações do mercado fonográfico nacional. Era um movimento que queria existir para além dos rótulos impostos.

 

A relevância do artigo está justamente em reconhecer que o rock alternativo brasileiro dos anos 1990 não foi um fenômeno isolado ou passageiro. Foi uma cena estruturada, com selos, redes colaborativas, circulação internacional e pensamento crítico próprio. Um capítulo essencial da música independente no país que começa a ser revisitado com a atenção que merece.

 

Para quem viveu aquele período, ou para quem deseja compreender as raízes de parte significativa do indie brasileiro contemporâneo, a leitura é um mergulho consistente na história recente da nossa música.

 

Leitura completa:

https://polveremag.it/stanchi-di-essere-brasiliani-il-rock-alternativo-degli-anni-90/

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