terça-feira, 17 de maio de 2022

 Oito em cada 10 empresas brasileiras preveem aumento no investimento em segurança cibernética em 2022.



Estratégias de customer experience também precisam prever cuidados para proteção de dados de consumidores e colaboradores

O alerta é geral. A segurança cibernética nunca esteve tão em destaque nas organizações. Oitenta e três por cento das empresas brasileiras preveem um crescimento nos gastos nessa área, em 2022. O percentual é maior do que a expectativa mundial, em que 69% das companhias esperam esse aumento. Os dados são da pesquisa Global Digital Trust Insights Survey 2022, que mostrou: 36% das empresas no Brasil buscam ter um crescimento no orçamento cibernético entre 6% e 10%. Já 33% preveem uma alta de 15% ou mais. 


Estudos refletem uma mudança na mentalidade corporativa no cuidado com os dados. No Brasil, esse movimento ganhou força a partir da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que obriga organizações de todos os segmentos a protegerem os dados dos consumidores de seus produtos e serviços. Uma preocupação que precisa se estender a todas as frentes da empresa e também da sociedade. “A LGPD é uma forma de conscientizar a população e também as empresas da importância de armazenar os dados, com foco na proteção e privacidade da pessoa e da corporação”, destaca Ricardo Zanlorenzi, CEO da Nexcore, empresa de tecnologia focada na comunicação entre marcas e pessoas. 

E as estratégias de CX (customer experience) estão intimamente ligadas a esse cuidado. No caso da plataforma omnichannel, desenvolvida pela Nexcore, apesar da empresa fornecer a solução digital, os dados são de propriedade da corporação que contrata o serviço. Dessa forma, todas as informações devem ser protegidas pela organização. 

“As empresas são proprietárias e controladoras dos dados armazenados em suas plataformas. Por isso, a empresa que nos contrata precisa disponibilizar um ambiente seguro para que os dados sejam armazenados”, explica Ricardo Zanlorenzi. De acordo com o CEO da Nexcore, isso permite que todas as informações sejam de propriedade da empresa contratante, respeitando a privacidade do cliente e dos funcionários. “Estamos adequados à LGPD e não armazenamos os dados, com o objetivo da total segurança e privacidade do cliente”, afirma. 

Envolvimento do alto escalão

Somente um terço das organizações no mundo tem práticas avançadas de confiança de dados, segundo o estudo Global Digital Trust Insights Survey 2022. Porém, nenhuma companhia está isenta do cumprimento dessa lei. Caso a empresa não respeite as normas da LGPD, há a possibilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abrir um processo que pode gerar uma advertência, uma multa ou o bloqueio dos dados referentes à infração. “Por isso, é essencial que a equipe da instituição esteja atenta às regras e à segurança cibernética da corporação”, reforça. 

O estudo indica que o envolvimento do alto escalão das empresas é essencial para os desdobramentos das políticas nessa área. De acordo com a pesquisa, os CEOs  com melhores resultados de segurança cibernética nos últimos dois anos têm 14 vezes mais probabilidade de dar suporte relevante ao Chief Information Security Officer (CISO). Apesar disso, 77% dos executivos brasileiros e 75% dos globais relataram a complexidade nas corporações que atuam com tecnologia, dados e ambientes operacionais. O levantamento mostra também que eles têm consciência que essa complexidade pode elevar a níveis preocupantes os riscos cibernéticos e de privacidade

De acordo com Ricardo Zanlorenzi, os CEOs precisam estar cientes sobre a LGPD e as ações contra ataques cibernéticos. “É uma via de mão dupla. Os empresários devem dar suporte à equipe de tecnologia para que as informações da corporação sejam protegidas e para que a privacidade de funcionários e clientes seja preservada. Ao mesmo tempo, em caso de ataque cibernético, é preciso que os CEOs possam contar com a equipe de TI para que o problema seja resolvido o mais rápido possível”, finaliza. 

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