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segunda-feira, 20 de julho de 2026

 


Vittória - Dona Meu Destino.

Vittória Gabriele


Geração 50+: mulheres buscam autonomia sobre seus carros e provocam mudanças no setor automotivo

Em uma década, lares chefiados por mulheres saltaram para 49,1%; na mesma proporção, cresce busca por mecânica entre motoristas maduras

Por muito tempo, aprender a dirigir representou uma importante conquista de independência para as mulheres. Hoje, para muitas delas, isso já não é suficiente. A busca vai além do volante: passa por entender o funcionamento do veículo, identificar problemas básicos e ganhar autonomia para lidar com situações que, durante décadas, foram associadas quase exclusivamente ao universo masculino.

E a idade não tem sido uma barreira para esse movimento. Pelo contrário. Cada vez mais mulheres maduras têm buscado ampliar seus conhecimentos sobre mobilidade, manutenção e cuidados com o automóvel, motivadas pelo desejo de se sentirem mais seguras e independentes no dia a dia.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), com base em dados da Senatran e do último Censo Demográfico, o Brasil possui 5,6 milhões de mulheres habilitadas entre 51 e 70 anos. O contingente já supera, em diversas regiões do país, o número de condutoras na faixa entre 41 e 50 anos, estimado em 5,5 milhões, e representa uma parcela cada vez mais relevante das motoristas brasileiras.

“Entender o carro virou uma forma de reduzir a dependência e tomar decisões com mais segurança”, explica Vittória Gabriela, da comunidade Dona Meu Destino, voltada à educação automotiva feminina, que promove oficinas práticas e conteúdos acessíveis sobre manutenção e funcionamento de veículos.

Criada a partir da experiência de ter enfrentado problemas com a manutenção de seu carro, a iniciativa de ensinar mulheres a lidarem com seus próprios automóveis e terem autonomia cresceu e hoje reúne mais de 890 mil mulheres nas redes sociais, além de registrar alto engajamento, com conteúdos que já ultrapassam 4 milhões de visualizações. A demanda também se reflete fora do ambiente digital: mais de 3.500 mulheres aguardam na lista de espera para participar das oficinas presenciais sobre mecânica básica. 

Vittória Gabriele

“Houve um aumento na participação de mulheres maduras nas oficinas que promovemos. É um movimento que vai além da curiosidade por motores. Reflete uma mudança de papel. São viúvas que passaram a resolver sozinhas questões antes compartilhadas. Mães que se tornaram a principal referência financeira da família. Mulheres que chegaram aos 50 ou 60 anos acumulando experiências suficientes para perceber que depender de alguém para explicar um orçamento mecânico já não faz sentido”, destaca.

Em pouco mais de uma década, o número de lares sob responsabilidade feminina cresceu. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2024, mostram que 49,1% dos lares brasileiros já têm mulheres como responsáveis. Em 2010, esse percentual era de 38,7%. Na prática, isso significa que cerca de 36 milhões de brasileiras estão à frente das decisões financeiras e administrativas de suas casas, um avanço que ajuda a explicar a busca crescente por autonomia em áreas antes tradicionalmente delegadas a terceiros, como a manutenção automotiva.

Essa mudança aparece em decisões que raramente ganham destaque nas estatísticas: escolher uma oficina, questionar uma troca de peça, entender uma revisão ou saber quando um orçamento faz sentido.

E se antes a maioria das participantes chegava motivada por experiências negativas, como panes, prejuízos ou atendimentos considerados inadequados, hoje elas buscam conhecimento de forma preventiva. “No início, muitas chegavam depois de um problema, um mau atendimento ou um prejuízo. Hoje, vemos cada vez mais mulheres buscando aprender por escolha, antes que qualquer situação aconteça. É uma mudança do ‘preciso me virar’ para o ‘quero ter controle’”, afirma.

Segundo Vittória, a maioria das mulheres chega sem qualquer conhecimento prévio sobre o carro, e isso não é uma barreira. “O workshop foi desenhado para quem está começando do zero. Não existe pergunta boba. A única pergunta ruim é a que a gente deixa de fazer por medo”, diz. 

Vittória ressalta, ainda, que o aprendizado não transforma essas mulheres em mecânicas, mas muda a forma como elas ocupam esse espaço. “O conhecimento evita situações comuns: desde pagar por serviços desnecessários até ignorar sinais simples que podem se transformar em problemas maiores. E quase todo prejuízo alto começa com algo pequeno que foi ignorado por falta de informação”, explica. 

Ela conclui: “Para quem quer começar, o caminho não precisa ser técnico: entender itens básicos, como nível de óleo, desgaste de pneus e funcionamento de revisões periódicas, já é um primeiro passo para transformar o carro de um ponto de dúvida em uma decisão consciente”.

Em tempo

A expansão da comunidade passa agora pela ampliação das capacitações. A proposta é aumentar o número de turmas de mecânica básica para mulheres e levar os encontros para novas regiões do país. Capitais como Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte já estão no radar da iniciativa.

Além disso, a comunidade trabalha no desenvolvimento de versões online dos cursos, com o objetivo de ampliar o acesso ao conteúdo e alcançar mulheres de diferentes estados, democratizando o conhecimento sobre mecânica básica e autonomia ao volante.

Conheça: https://www.instagram.com/donameudestino/

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referência:

https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202410/censo-2022-em-12-anos-proporcao-de-mulheres-responsaveis-por-domicilios-avanca-e-se-equipara-a-de-homens

https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/noticias/no-mes-dedicado-as-mulheres-dnit-revela-estudos-com-numero-de-habilitadas-no-pais



Vittória Gabriela
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Equipe Blog Leite Quentee news