Com previsão de 13 milhões de visitantes, torneio acontece em meio ao avanço histórico da doença nos países sedes; infectologista alerta para riscos e reforça importância da vacina.
Minas Gerais - Julho de 2026. A Copa do Mundo de 2026, realizada pela primeira vez em três países diferentes (Estados Unidos, México e Canadá), deve receber cerca de 13,1 milhões de visitantes, segundo a consultoria financeira global B.Riley. O grande fluxo de pessoas devido ao evento ocorre em meio ao avanço do sarampo nas Américas, cenário que preocupa autoridades de saúde.
Entre os países que estão recebendo a Copa do Mundo, o México apresenta atualmente a situação mais preocupante em relação ao sarampo. Segundo a Direção Geral de Epidemiologia do país, já foram registrados 6.956 casos confirmados e oito mortes apenas em 2026. Considerando o período entre janeiro de 2025 e março de 2026, o total chega a 13.408 casos laboratoriais confirmados e 35 óbitos. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizou 2.073 casos confirmados e 30 surtos até o início deste mês. Em 2025, o país já havia registrado 2.288 casos, o maior número em 34 anos, sendo que 93% dos infectados não eram vacinados ou tinham histórico vacinal desconhecido.
O Canadá também enfrenta uma situação considerada histórica. Até o fim de maio de 2026, o país registrava 1.063 casos entre confirmados e prováveis, enquanto o grande surto iniciado em outubro de 2024 já acumula 6.398 ocorrências. A infectologista e professora da Afya São João del Rei, Dra. Janaína Teixeira, explica que o sarampo é uma doença infecciosa causada por um vírus da família dos paramixovírus.
“É um vírus de transmissão respiratória, ou seja, a principal forma de contágio acontece de uma pessoa para outra por meio de gotículas eliminadas ao falar, tossir, gritar ou espirrar. É uma doença altamente transmissível, considerada uma das infecções com maior capacidade de disseminação. Estima-se que uma pessoa infectada possa transmitir o vírus para até outras 18 pessoas que não estejam vacinadas ou protegidas”.
O retorno do sarampo em países que anteriormente haviam controlado a circulação do vírus reforça a importância da vacinação como principal ferramenta de proteção. De acordo com a especialista, os sintomas do sarampo geralmente começam com febre alta, acompanhada de um quadro semelhante ao de uma gripe, com coriza, nariz escorrendo, tosse seca e, em alguns casos, conjuntivite. Depois, surgem as manchas no corpo, que são avermelhadas e mais espessas.
“As manchas costumam começar no rosto e no tronco e, posteriormente, evoluem para os membros. Esse tipo de lesão é chamado de exantema craniocaudal, pois se espalha de cima para baixo. A doença também pode apresentar complicações, como encefalite, que é uma infecção do sistema nervoso central, pneumonias e, em casos mais graves, pode levar até ao óbito”, complementa a médica.
Riscos para o Brasil e esquema vacinal
Dados da OPAS mostram que a maioria esmagadora dos casos registrados nas Américas ocorre entre indivíduos não vacinados ou sem comprovação do esquema vacinal completo.
Dra. Janaína Teixeira comenta que com a Copa do Mundo, existe uma circulação intensa de turistas se deslocando entre diferentes países, como na América do Sul, América Central e América do Norte. Esse movimento envolve estádios lotados, viagens de avião e aglomerações em aeroportos, que são situações que favorecem a circulação e a transmissão de doenças respiratórias, como o sarampo.
Por isso, existe o risco de surgirem novos casos de sarampo no Brasil devido a esse deslocamento intenso de pessoas, principalmente entre aquelas que não estão protegidas ou não estão vacinadas.
“É muito importante que a população esteja com a vacina contra o sarampo em dia. Pessoas com até 29 anos de idade devem ter pelo menos duas doses da vacina registradas na carteirinha de vacinação. Já as pessoas com mais de 30 anos devem ter pelo menos uma dose documentada para estarem protegidas contra o sarampo. Para quem viajar para esses países, o ideal é receber a vacina até 15 dias antes da viagem. Porém, se isso não for possível, tomar a vacina até mesmo no dia da viagem é melhor do que viajar sem estar vacinado”, conclui a infectologista da Afya.
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Equipe Blog Leite Quentee news