A estreia do documentário “Preta — Eu Não Ando Só” voltou a chamar a atenção para um dos últimos desejos de Preta Gil: transformar parte de suas cinzas em diamantes. Exibido pela TV Globo em 20 de julho, data que marcou um ano da morte da cantora, o primeiro episódio do longa-metragem já está disponível no Globoplay e reúne registros feitos pela própria artista, além de relatos de familiares e amigos que acompanharam sua trajetória.
Em uma das passagens mais emocionantes, os amigos relembram o desejo de Preta de ter as cinzas transformadas em diamantes. A cena retoma uma história apresentada pelo Fantástico, em novembro de 2025. Parte das cinzas de Preta Gil foi encaminhada a Curitiba (PR), onde a The Diamond produziu exclusivamente o diamante destinado à família Gil, em um processo realizado integralmente no Brasil.
A peça da família foi produzida pela The Diamond, empresa brasileira especializada em diamantes memoriais. Diferentemente das pedras destinadas aos amigos, o diamante da família teve todas as etapas conduzidas no Brasil, sem que as cinzas precisassem ser enviadas para outro país.
Para Mylena Cooper, CEO da The Diamond, tanatóloga e especialista em experiências de despedida e memorialização, a repercussão da história ajuda a mostrar como a tecnologia passou a ser incorporada aos rituais de memória. “A transformação laboratorial é a simulação do que acontece na natureza, só que com uma velocidade infinitamente maior”, explicou Mylena ao apresentar o processo utilizado na fabricação do diamante da família Gil.
Como as cinzas são transformadas em diamante
A produção começa com a separação do carbono ainda presente nas cinzas. O material passa por etapas de purificação para a retirada de outros elementos. Depois, o carbono é transformado em grafite e submetido a condições controladas de alta pressão e temperatura, processo conhecido mundialmente como HPHT, e que reproduz, no laboratório, o mesmo cenário da natureza na criação de um diamante.
Essas condições permitem reorganizar os átomos de carbono e formar o diamante bruto. A pedra segue então para lapidação, polimento e certificação. O resultado é um diamante de laboratório com propriedades físicas e químicas equivalentes às de uma pedra formada na natureza.
Além do número individual de certificação, o diamante pode receber uma gravação a laser com o nome da pessoa homenageada. A inscrição é microscópica e normalmente só pode ser observada com uma lupa de alta ampliação. Segundo Mylena, a existência de uma joia não elimina a ausência nem encerra o processo de luto. O valor está na possibilidade de transformar a história vivida em uma referência material, escolhida de acordo com os desejos da pessoa e de seus familiares. “Humanizar o luto não é negar a dor. É reconhecer que, mesmo diante da morte, ainda existem amor, história e memória”, afirma.
No caso de Preta Gil, o diamante passou a representar justamente essa continuidade. A cantora, conhecida por reunir amigos e construir relações intensas, deixou definida a maneira como gostaria de estar simbolicamente presente entre as pessoas que fizeram parte de sua vida.
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Equipe Blog Leite Quentee news