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terça-feira, 10 de março de 2026

 


Fim da escala 6X1 precisa equilibrar benefícios aos trabalhadores e custos ao empregador.

6x1

Enquanto estudos apontam chances de reduzir a jornada e adotar modelos como a semana 5X2, análises destacam riscos de aumento de custos e queda de produção


A cogitada aprovação da mudança da tradicional escala de trabalho 6X1, em que o empregado trabalha seis dias seguidos e folga um, tem dividido opiniões no Brasil. Enquanto estudos apontam chances de reduzir a jornada e adotar modelos como a semana 5X2, que pode estimular a criação de empregos formais, melhorar qualidade de vida e até elevar indicadores de produtividade, análises econômicas e setores empresariais destacam riscos de aumento de custos, queda de produção e a necessidade de estratégias de adaptação para reduzir impactos negativos.

 

Nos últimos meses, pesquisas de opinião mostraram que 65% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6X1, com 55% acreditando que a redução da jornada aumentaria a produtividade, e muitos enxergando o tempo extra como oportunidade para dedicar-se à família, saúde ou educação. Entre jovens de 16 a 24 anos, esse apoio chega a 76%, em parte pela expectativa de que a mudança crie mais oportunidades no mercado de trabalho.

 

Do ponto de vista acadêmico e sindical, um estudo do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta que a substituição da jornada 6X1 por um modelo de até 36 horas semanais pode criar entre 4 milhões e 4,5 milhões de empregos formais no país, além de elevar a produtividade em cerca de 4,5%, caso processos e organização do trabalho sejam ajustados.

 

“Eventuais mudanças na escala 6X1 devem observar os princípios da segurança jurídica, da livre iniciativa e da adequação à realidade setorial das empresas. Jornadas mais equilibradas podem, sim, gerar ganhos de eficiência e redução de custos indiretos, como turnover e absenteísmo, desde que implementadas com previsibilidade, negociação coletiva e respeito à autonomia do empregador. A preocupação central não é a redução da jornada em si, mas a preservação da capacidade de organização produtiva das empresas”, explica a advogada Glauce Fonçatti, especialista em direito do trabalho, sócia do Escritório Batistute Advogados.

 

Alerta

Entretanto, análises de instituições como o Center for Public Leadership (CLP) alertam que a alteração da escala sem mecanismos adequados pode ter efeitos contrários no curto prazo: redução de produção, aumento dos custos de mão de obra por hora e até perda de empregos e corte de capacidade produtiva em setores como comércio, agricultura e construção, com impacto estimado de até R$ 88 bilhões no PIB brasileiro.

 

Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) indicam que aumentos no custo da hora trabalhada de até 22% podem ocorrer se não houver compensações por ganhos de eficiência, e a estagnação histórica da produtividade no Brasil, praticamente zero entre 2012 e 2024, é citada como desafio para absorver essa transição sem perdas econômicas.

 

“O debate sobre o assunto é essencial, assim como um bom planejamento e adaptação caso a mudança seja aprovada. Mas num ano eleitoral e diante do contexto político da ocasião, empresários precisam agir preventivamente, rever seus contratos de trabalho, analisar alternativas e investir em estratégias como automação, reorganização de turnos, melhor aproveitamento de tecnologia, treinamento e qualificação de pessoal. Afinal, tais situações são apontadas como formas de manter ou aumentar a produtividade mesmo com menos horas trabalhadas por indivíduo. Todavia, tudo precisa ser respaldado em parâmetros e providências jurídicas robustas”, ressalta Jossan Batistute, advogado especialista em direito empresarial, sócio do Escritório Batistute Advogados.

 

Além disso, negociações coletivas e flexibilização responsável podem ajudar a equilibrar interesses entre empregadores e empregados, evitando medidas que levem a custos inesperados ou fatores de competitividade desfavoráveis. Os especialistas alertam que, sem esse preparo, pequenos e médios negócios podem enfrentar elevação de preços, redução de operações ou até fechamento caso a demanda continue alta e os custos salariais subam sem produtividade suficiente.


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Equipe Blog Leite Quentee news